Guimarães vê melhora na relação com a Câmara e celebra liberação de R$ 22,45 bi
Para o líder do governo, relação do governo com a Casa foi retomada em "nível muito mais elevado" após conversa entre Lula e Motta
O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), celebrou nesta quinta-feira, 18, a aprovação pelo Congresso do projeto de lei que reduz benefícios fiscais em 10% e aumenta a taxação de casas de apostas e de fintechs, destravando 22,45 bilhões de reais no Orçamento do governo para 2026.
Diante da aprovação dessa proposta e de outras consideradas importantes pelo governo de serem aprovadas nesta semana, como o segundo projeto para regulamentar a reforma tributária, o petista avalia que a relação do governo com a Casa Baixa melhorou, após os momentos de clima ruim – como na derrota do IOF e na discussão do projeto de lei antifacção.
De acordo com o parlamentar, entre os fatores que contribuíram para essa melhora, estão mobilizações por parte da sociedade civil; a inclusão de um calendário para execução de emendas parlamentares na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026; e uma reunião realizada pelo presidente Lula (PT) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no último domingo, 14.
“Acho que toda crise sempre apresenta saídas. Do IOF para cá, tivemos momentos muito doídos aqui dentro. Divergências profundas dentro da base do governo e na relação do governo com a Câmara. Quando nós fomos derrotados no IOF, depois a PEC da blindagem, o PL Antifacção, que teve esse enfrentamento todo. O processo de mobilização que teve na sociedade, o debate que foi feito na sociedade, para mim, foi o elemento mais definidor de uma mudança do comportamento aqui dentro da Casa”, pontuou Guimarães, em conversa com jornalistas.
“E nós estamos terminando o ano aprovando essas matérias sem nenhuma extravagância orçamentária. Todo ano só vota se fizer isso, só vota se fizer aquilo. Este ano a coisa que também pesou foi termos estabelecido na LDO o calendário de pagamento das emendas”.
O líder do governo ressaltou que a reunião de Lula com Motta foi “bem definidora” para uma melhora na relação do governo com a Casa.
“A reunião que tivemos segunda já 7h30, eu, [Fernando] Haddad e Hugo Motta. Então, foi um processo de construção de muito diálogo, e tentando ajustar. Depois fomos conversar com o Davi [Alcolumbre]. Dessa forma, eu acho que a relação do governo com a Câmara foi retomada num nível muito mais elevado do que o anterior“.
Guimarães salientou ainda que a relação do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), com Motta também melhorou: “Todo mundo sabe que houve um tensionamento muito grande entre o líder do PT e o presidente. E eles estão terminando [o ano] de bem”.
Votação do Orçamento
O Congresso Nacional ainda precisa votar o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 – o Orçamento da União do próximo ano.
A LOA prevê as receitas e fixa as despesas do governo federal. Se a Lei Orçamentária Anual de determinado ano não for votada e sancionada pelo presidente da República até 31 de dezembro do ano anterior, o governo federal fica autorizado a realizar somente despesas consideradas essenciais ou obrigatórias. Foi o que aconteceu em 2025, quando o Congresso aprovou o Orçamento com três meses de atraso.
O projeto referente a 2026 está pautado para uma sessão conjunta da Câmara e Senado marcada para a tarde desta quinta, mas ainda precisa ser votado pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso antes. A votação no plenário do Congresso deve acabar ficando para sexta-feira, 19.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)