Um governo sem barricadas
Lula tentou, com o PL Antifacção, montar sua barricada para conter as críticas sobre segurança pública, mas a oposição passou seus blindados por cima, com 370 votos
O governo Lula apresentou às pressas o PL Antifacção ao Congresso Nacional para tentar escapar da fama de leniente com o crime. E o projeto foi aprovado pela Câmara indicando o exato oposto.
O presidente da República e seu ministro da Justiça reagiram mal à Operação Contenção, que segue com apoio popular apesar das críticas dos governistas. Dois dias antes, o petista tinha se referido aos traficantes como vítimas, ecoando o discurso esquerdista do crime como questão social.
O bote salva-vidas do governo na segurança pública acabou indo parar nas mãos de um emissário do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi quem posou nas redes sociais como o maior vitorioso da aprovação na Câmara do relatório do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP).
Presente para Tarcísio
“Eu estou aqui nesta Casa, relatando o projeto dessa magnitude, porque eu tive o apoio e a confiança de um grande gestor: o governador Tarcísio de Freitas. Foi ele quem me deu a oportunidade de me licenciar da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para reassumir aquilo que o povo paulista me entregou, o meu mandato parlamentar, e continuar lutando contra o crime organizado também aqui no parlamento”, disse Derrite ao celebrar a aprovação.
Tarcísio é tratado como o grande adversário presidencial do petismo em 2026, e recebeu um presente dos próprios petistas, que, sem nem querer discutir o relatório com Derrite, se limitaram a lamentá-lo publicamente, espalhando confusão sobre o texto, com ajuda da Polícia Federal.
“Busquei diálogo com todos indistintamente, mas o governo não tinha intenção de debater no projeto para o país, queria politizar, escolheu distorcer e atacar, preferiu criar mentiras e falsas narrativas ao invés de discutir soluções para um problema tão sério para o Brasil. Em nenhum momento pensou no povo, mas em conseguir cortes para lacrar nas redes sociais. Aliás, usando as redes oficiais do governo“, disse Derrite.
A verdade é que o governo Lula nunca pretendeu resolver o problema da segurança pública no Brasil, mas apenas resolver o problema da segurança pública para o governo Lula, como O Antagonista destacou já no dia seguinte à Operação Contenção.
As facções criminosas só se tornaram um problema para o Palácio do Planalto quando começaram a ameaçar a popularidade do presidente, assim como ocorreu com a inflação, entre outras questões. E só faz sentido para o governo Lula tratar do assunto se for para ser encarado como o herói da história.
“Caminho errado”
Lula tentou montar sua barricada para conter as críticas, mas a oposição passou seus blindados por cima delas na Câmara, com 370 votos. Os governistas vão tentar reverter a derrota no Senado, mas as condições do campo de batalha da segurança pública são totalmente desfavoráveis a eles.
“Precisamos de leis firmes e seguras para combater o crime organizado. O projeto aprovado ontem pela Câmara alterou pontos centrais do PL Antifacção que nosso governo apresentou. Do jeito que está, enfraquece o combate ao crime e gera insegurança jurídica. Trocar o certo pelo duvidoso só favorece quem quer escapar da lei“, reclamou Lula.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rebateu:
“Não se pode desinformar a população, que é alvo diariamente do crime, com inverdades. É muito grave que se tente distorcer os efeitos de um Marco Legal de Combate ao Crime Organizado cuja finalidade é reforçar a capacidade do Estado na segurança pública. Não vamos enfrentar a violência das ruas com falsas narrativas. Precisamos estar unidos neste momento. O governo optou pelo caminho errado ao não compor essa corrente de união para combater a criminalidade. Repito: segurança não pode ser refém de falsas narrativas.”
O governo Lula parece não ter percebido que conseguir uma vitória nessa história é praticamente impossível. E deveria estar preocupado em não sair ainda pior do que entrou. É o que ocorreu na Câmara na noite de terça-feira, 18, e que ameaça ocorrer a cada passo dessa questão.
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