Terceiro mandato: Trump flerta abertamente com o fim da democracia
As maiores atrocidades contra a humanidade, em toda a história moderna, foram cometidas a partir de líderes bárbaros com poderes ilimitados
É no mínimo inquieto – exatamente inquietante! – o que se encontra em curso nos Estados Unidos da América, o país ex-líder das democracias (espero que temporariamente apenas), desde a posse de Donald Trump Jr. para seu segundo mandato presidencial não consecutivo.
Sua agenda internacional é simplesmente catastrófica. Além de rasgar acordos e compromissos comerciais assumidos, cospe sem cerimônia alguma na cara de aliados históricos, arriscando o planeta a uma era de instabilidade inédita, desde o fim da segunda guerra mundial.
Suas ameaças expansionistas deixaram de ser consideradas bravatas de um lunático em busca de manchetes, e hoje são um risco real a territórios autônomos como Groenlândia, Canadá e Panamá. A última ameaça foi bombardear o Irã por causa do programa nuclear dos aiatolás.
Sem controle
Seu alinhamento até então submisso e incondicional ao tirano Vladimir Putin só não é mais vil que sua ideia de expropriação de Gaza, mandando os palestinos – não estou falando de terroristas – para qualquer lugar que não suas casas, e a extorsão declarada contra a Ucrânia (minerais por defesa).
Internamente, ainda que em um caso ou outro encontre motivos justos e até amparo legal, sua perseguição contra estrangeiros (inclusive legais) por motivos políticos tem se tornado cada vez mais controversa. Sem falar no bloqueio de verbas a escolas e universidades, também por motivos políticos.
No campo da economia, uma recessão já é esperada por diversos analistas, e a abrupta desvalorização das ações americanas, bem como o enfraquecimento do dólar perante outras moedas, anuncia algumas das consequências das sobretaxas aduaneiras e da guerra comercial em escala global de Trump.
Até quando?
Testando os limites da democracia americana, inclusive pregando abertamente o impeachment de juízes que votaram contra medidas de seu governo, como fez recentemente Elon Musk, o presidente assume que quer e vai buscar o terceiro mandato, ainda que a constituição americana proíba.
Não são raros os exemplos de ditaduras que começaram justamente alterando as regras eleitorais, paralelamente ao desmonte e cooptação do parlamento e da suprema corte, para encontrarem amparo “democrático e legal” (nos Poderes Legislativo e Judiciário), para a sanha tirânica-autocrática.
É pra lá de perturbador que um presidente americano expresse publicamente tais questões – descritas acima -, já que contrárias aos princípios basilares da maior e mais poderosa democracia do mundo, sem qualquer receio da opinião pública (nacional e internacional) ou mesmo reação política.
Mundo sob risco
O controle de parte da grande mídia tradicional e o completo poder sobre as maiores redes sociais do planeta transformam Donald Trump, o comandante-em-chefe da maior potência militar e nuclear do mundo, em um cada vez mais potencial tirano imperialista sem limites.
As revelações trazidas a partir do relato de um jornalista, incluído por engano em um grupo de mensagens do governo, mostram o desprezo da administração Trump pela Europa, e que não se tratam de meras bravatas as declarações públicas do presidente e seu vice, J.D. Vence.
As maiores atrocidades contra a humanidade, em toda a história moderna, foram cometidas a partir de líderes bárbaros com poderes ilimitados. Pior. Com apoio popular que os referendavam. O longínquo passado sombrio que assolou o planeta pode – e parece – querer estar de volta.
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Comentários (1)
Rosa
31.03.2025 09:05Parece como foi descrito no começo da distopia dos Estados Unidos do "o conto da Aia"