Bolsonaro ressuscita Lula; pela segunda vez
Lula sabe que ganhou uma nova chance de vencer em 2026. Mais uma vez, estes patetas ressuscitaram o petista - e a gente que se vire
Ao vencer o “candidato poste”, Fernando Haddad, nas eleições presidenciais de 2018, o então deputado federal Jair Messias Bolsonaro parecia ser o precursor de uma nova era na política brasileira, após 14 de 16 anos de dominância petista.
Mas, absolutamente ninguém – com o mínimo conhecimento político e cultura geral – imaginou um dia que o “mito” fosse algo melhor do que se mostrava: um truculento ex-militar, “burro de pai e mãe”, preconceituoso e obviamente incapaz de ser presidente.
Contudo, todos – inclusive eu -, apostavam na “elite empresarial” por trás do sujeito; no economista liberal (de araque) Paulo Guedes, o “posto Ipiranga”; em um bom time de ministros e, principalmente, no combate real à cleptocracia lulopetista.
Doce Engano
Mal sabíamos, porém, o tamanho do erro e a enormidade do estrago que estava por vir. Já nos primeiros meses de mandato, um aloprado presidente participava de manifestações golpistas, que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do STF.
Ato contínuo, uma turba – voluntária e também financiada – virulenta e violenta praticava arrastões digitais na internet e nas redes sociais, atacando e demonizando tudo e todos que “ousavam” tão somente não concordar – em 100% – com o “Messias salvador”.
Uma onda fascistoide, que não apenas atacava e tentava silenciar vozes contrárias, mas que, abertamente, pregava ruptura institucional e clamava pela eliminação da esquerda, tomou conta do debate político e se tornou aparentemente majoritária no país.
Pandemia do juízo final
Com a chegada do maldito coronavírus, o que era “apenas” pregação golpista e de pensamento único, tornou-se também uma política atentatória à saúde pública, negando a ciência, a medicina e os fatos, investindo ferozmente em terraplanismos.
A imprensa profissional e o Judiciário, então, tornaram-se espécies de guardiões de medidas sanitárias adequadas e porta-vozes da realidade, sendo imediatamente amaldiçoados e descredibilizados pelo próprio presidente da República e seu séquito.
A cada live, a cada motociata, a cada aglomeração irresponsável – sem uso de máscara -, a cada propaganda de medicamentos comprovadamente ineficazes no tratamento da covid e a cada manifestação golpista, a escalada de ódio contra as instituições aumentava.
Manicômio generalizado
Com o fim da pandemia e a proximidade das eleições de 2022, o foco, ou melhor, o alvo dos ataques aloprados, praticamente se resumiu ao Supremo Tribunal Federal, notadamente o ministro Alexandre de Moraes e, lateralmente, Luís Roberto Barroso.
Outros membros do STF, especialmente Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que prestaram inestimáveis votos à família Bolsonaro em processos na corte, eram poupados. Mas a instituição, contudo, era cada vez mais ameaçada – diretamente ou através de outros malucos.
Aliás, malucos não faltaram. Jamais. Roberto Jefferson, Daniel Silveira, Sara Winter, Allan dos Santos, o “Véio da Havan”. E boa parte dos milhares que invadiram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, conforme adjetivados pelo próprio líder golpista.
Esqueçam o que decidi
Em 2019, após o início da sanha golpista, a cúpula do Judiciário farejou o que estava por vir e decidiu, a despeito dos próprios julgados, rever a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, e tornou Lula livre após quase dois anos preso.
E com a escalada autoritária em pleno vigor, o remédio imaginado por alguns supremos togados tornou-se ainda mais forte e amargo. Condenado em três instâncias, por nove magistrados diferentes, a “alma mais honesta do país” teve suas penas anuladas.
Com os direitos políticos restabelecidos, um país vitimado por violência política e mais de 700 mil mortos por covid, o pai do Ronaldinho dos Negócios conseguiu vencer, ainda que por pequena margem, o devoto da cloroquina, o maníaco do tratamento precoce em 2022.
Lula lá; outra vez
De “morto-vivo”, detido na Polícia Federal de Curitiba, graças ao Messias, Lula ressuscitou e elegeu-se presidente do Brasil pela terceira vez. Talvez seja o maior dos danos políticos já produzidos por Jair Bolsonaro: “Levanta-te, anda e eleja-se, Lula”.
Com um governo sem rumo nem prumo, sem eira nem beira, inflação de alimentos galopante, déficit público descontrolado, diplomacia da década de 1980 e um discurso mais mofado que queijo azul francês, Lula caminhava, a passos largos, para o ocaso eleitoral.
Longe de estar batido, ou fora do jogo em 2026, o chefão petista via suas chances de reeleição cada vez mais reduzidas. O enfaro da população com sua imagem, sua voz, seus pensamentos e suas atitudes era cada vez mais visível nas últimas pesquisas de opinião.
Tudo de novo
Mas eis que… Fez-se a luz! Ou melhor, a escuridão. O anjo do apocalipse travestiu-se de Bananinha e se mandou para os EUA, passear na Disney, curtir rodeio e viver às custas da mesada do papai – com o dinheiro doado por incorrigíveis tolos e fanáticos.
O pior, porém, é que, nas horas vagas, o bolsokid 03 resolveu posar de “influencer de presidente doidão”. Com a caneta tarifária à solta, Donald Trump vem guerreando comercialmente contra o mundo, espetando a conta no lombo dos americanos.
No caso do Brasil, o bufão cor de laranja resolveu brincar de “imperialista judicial”, e sobretaxou sua sobretaxa, declarando-se “insatisfeito” com o ambiente político e jurídico de Banânia. Sabem como é, né? “Over the land of the free and home of the braves”.
Quase acabando
Mas a terra dos [homens] livres não anda um primor de liberdade. E a bravura, cada vez mais escondida sobre práticas antiliberais de fazer Stálin revirar no inferno. Para piorar, os freios e contrapesos que imaginávamos existir, “No equisitem”, como diria Padre Quevedo.
Em meio ao ataque mafioso de Trump contra o Brasil, Eduardo e Jair Bolsonaro saíram anunciando-se como os responsáveis: “Ou soltam papai e prendem Xandão, ou nosso amigão patriota vai punir vocês”. E em parte, é verdade. A César o que é de César.
Resultado: o embusteiro político, ilusionista e populista de primeira, Lula da Silva, viu, ouviu e não acreditou. “Esses caras querem mesmo que eu vença outra vez”, deve ter pensado o mais novo patriota do Brasil. “A bandeira verde e amarela é nossa”. Meu Deus!
Agora, sim. O final
As últimas pesquisas já mostravam uma leve recuperação da popularidade do presidente. Com o tarifaço de Trump e sua investida contra o Judiciário brasileiro, a tendência se firmou. O petista, que de trouxa não tem nada, está surfando a onda como um profissional.
Não só não está arrefecendo os ânimos, investindo tempo e esforços em soluções comerciais e diplomáticas, como está, diuturnamente, esticando a corda, atacando e zombando o aloprado americano, fazendo de tudo para agravar a situação.
Lula sabe que ganhou uma nova chance de vencer em 2026. Recebeu de presente, numa bandeja de prata, um inimigo externo para chamar de seu, com a vantagem de vir embalado em bolsonarismo. Mais uma vez, estes patetas ressuscitaram o petista – e a gente que se vire.
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Comentários (4)
Ana Maria
21.07.2025 22:18Espero que nao, afinal o Lula e mestre em ficar afrontando como se tivesse alguma relevância no mundo
FAUSTO MORAIS CARDOSO RIBEIRO
21.07.2025 16:08Ótima síntese, Ricardo.
Angelo Sanchez
21.07.2025 11:28O Brasil merece este traste do "descondenado", onde o pobre é refém de misérias de bolsa família, bolsa escola, bolsa gás, e outros penduricalhos que formam vagabundos e não querem trabalhar para não perder estas esmolas. Onde um criminoso e sua gang vencem com o voto dos miseráveis que é a grande maioria, e ainda perseguem os seus adversários políticos,
Clayton De Souza pontes
21.07.2025 10:47Esse tema dá pra fazer um livro! O encadeamento é os capítulos já estão prontos. Caso o resultado seja a reeleição do Lula, pra nosso desespero, deveremos ter mais elementos jurídicos acerca da saga de desmoralização dos Bolsonaro