Corrosão do STF fortalece teses autoritárias

o antagonista

Assine Entre

09.06.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista

Corrosão do STF fortalece teses autoritárias

avatar
Ricardo Kertzman
7 minutos de leitura 26.12.2025 09:20 comentários
Análise

Corrosão do STF fortalece teses autoritárias

Não. O Brasil não está nos estágios finais de um golpe de Estado. Mas flerta perigosamente com o começo do caminho

avatar
Ricardo Kertzman
7 minutos de leitura 26.12.2025 09:20 comentários 2
Corrosão do STF fortalece teses autoritárias
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O Brasil não está à  beira ou caminhando para um golpe clássico. Não há nem haverá tanques nas ruas ou, novamente, ameaça formal às eleições. O risco é outro. Mais discreto, mais brasileiro. E isso nasce quando as instituições que deveriam ser guardiãs da constitucionalidade passam a agir como se não devessem explicações. Quando a exceção, às vezes necessária, vira método. E quando o Judiciário, sobretudo a mais alta instância, começa a se enxergar menos como limite do poder e mais como um poder soberano em si.

Esse não é um fenômeno inédito na história nacional. A Constituição de 1946, por exemplo, foi sendo esvaziada ao longo da década de 1950 por estados de sítio sucessivos, decisões excepcionais reiteradas e pela tolerância judicial a abusos do Executivo. Quando o golpe de 1964 veio, ele não encontrou um sistema institucional robusto e vigilante, e sim um país acostumado a atalhos, exceções e acomodações. O autoritarismo foi sendo gestado na normalização do anormal, exatamente como quer essa estúpida Lei da Dosimetria.

O caso do Banco Master não sai dos holofotes e não é à toa. É dos mais ilustrativos porque reúne tudo de errado num único episódio. Dias Toffoli puxa a investigação para o Supremo com base na mera menção a um parlamentar. A partir daí, o processo passa a tramitar sob sigilo extremo, exceto a quem o próprio ministro escolhe. O STF deixa de ser instância julgadora e assume protagonismo direto na condução do caso: interfere no ritmo, convoca acareações ilegais e claramente viciadas e tenta reorganizar o jogo a seu feitio.

Presença insustentável

Paralelamente, surgem fatos que, em qualquer democracia minimamente madura, seriam tratados como problema institucional grave: a viagem em jatinho ao lado de advogado ligado à defesa de investigado; a explicação protocolar de um ministro sobre sua gestão pessoal a autoridades ligadas ao caso; contratos advocatícios milionários e oportunistas com parentes de magistrados; a ausência de qualquer gesto de autocontenção. Pode até não haver crime nesses fatos. Mas o dano não é penal. É político. É simbólico. É corrosivo. É real.

O ministro Alexandre de Moraes aparece nesse contexto não como mais uma exceção, mas como a expressão de um modelo que vem se consolidando. Um magistrado que investiga, decide, pune, estabelece parâmetros do debate público e delimita o que é aceitável, ou não, no campo político, já era suficientemente inadequado. Mas a questão envolvendo sua esposa e seu contato direto com Gabriel Galipolo, presidente do Banco Central, transformou-o em um ministro suspeito e corrosivo à imagem da Justiça como um todo.

Atenção: isso não é uma acusação formal ou mesmo criminal. É mera constatação fática e  estrutural. Democracias não funcionam quando ministros do Supremo concentram funções incompatíveis e atuam de forma suspeita. Funcionam quando dispersam poder, criam fricção e aceitam limites. O STF brasileiro, porém, caminha na direção oposta. E Gilmar Mendes – sempre ele! – fecha o triângulo do mal ao tentar impedir ou reduzir drasticamente a possibilidade de impeachment de ministros da Suprema Corte.

O passado ensina

Ainda que a tentativa “gilmariana” tenha sido parcialmente revertida, a lógica e a intenção ficaram expostas. E coisas assim, uma vez reveladas ao respeitável público, não voltam para a gaveta. Esse tipo de ambiente não produz credibilidade e estabilidade. Ao contrário. Produz cansaço, ressentimento. E produz o cenário ideal para o surgimento de um autocrata tirano, como venho alertando, há anos, em textos quase desesperados nos veículos em que tenho a oportunidade de escrever ou de falar.

E não apenas o autocrata tosco, histriônico, mambembe como Jair Bolsonaro. Pois a “classe” também aprende, refina métodos e troca o figurino. Um outro aspirante a ditador, que se apresente como “corretivo”, que prometa “reorganizar as instituições”, “colocar limites”, sempre em nome da democracia, claro, como fazem os próprios capas-pretas supremos, provavelmente, irá surgir. Sempre com apoio popular. E sempre explorando o desgaste acumulado de quem deveria ter se contido antes.

Como lembrei recentemente, o Brasil já viveu algo parecido. Em 1990, Fernando Collor assumiu a Presidência em meio ao desespero da hiperinflação. A população estava perdida, angustiada, disposta a aceitar qualquer solução que viesse com linguagem técnica e promessa de ordem. O Plano Collor confiscou a poupança e as aplicações financeiras dos brasileiros. O Estado bloqueou, por decreto, o dinheiro de milhões de pessoas. Aquilo não foi apenas um erro econômico. Foi uma violência institucional gigantesca.

Recordar é viver

As pessoas perderam economias de uma vida inteira. Muitas entraram em depressão profunda e morreram. Empresas quebraram. A confiança no sistema foi destruída. Mas o ponto central: nem o Congresso nem o Supremo se insurgiram de forma efetiva. Houve desconforto, debates, indignação difusa. Mas o essencial passou. Criou-se o precedente de que, em situação “excepcional”, o Estado pode tudo. Com apoio popular, então, é que pode mesmo. Aí mora o grande perigo! A população estava cansada e desesperada.

Vale lembrar outro fato histórico e que corrobora o meu temor: o Supremo não foi fechado durante o regime militar. Continuou funcionando. Julgou. Referendou os infames atos institucionais. Conviveu com as cassações, as suspensões de direitos e exceções permanentes. O autoritarismo brasileiro não precisou destruir o Judiciário. Bastou contê-lo, pressioná-lo e, quando conveniente, utilizá-lo. Democracias não morrem apenas quando os tribunais são fechados. Morrem quando os tribunais passam a conviver com o inaceitável.

É assim que autocracias modernas se constroem: não pela ruptura explícita, mas pelo acúmulo de precedentes tolerados, pelo silêncio institucional e pela fadiga social. A Hungria, de Viktor Orbán, seguiu esse roteiro. Mudanças constitucionais sucessivas, enfraquecimento do Tribunal Constitucional, captura gradual dos freios institucionais. Tudo feito por lei, com maioria parlamentar, sob o argumento de “reformas necessárias”. O Judiciário não foi fechado. Foi domesticado. E o povo, obviamente, aplaudiu.

É no mundo, estúpido

Na Polônia, o governo do PiS alterou regras de nomeação e disciplina de juízes, provocando uma crise institucional profunda com a União Europeia. O Tribunal de Justiça da UE declarou que o Tribunal Constitucional polonês não atende aos requisitos de independência e imparcialidade. Mais uma vez, não houve golpe clássico. Houve engenharia autoritária legal. Pergunte se a população polonesa apoiou ou se insurgiu contra as novas regras? Na boa, é assustadora a cegueira histórica da nossa elite política.

A Turquia oferece o mesmo. Após a tentativa de golpe de 2016, o governo Erdogan promoveu expurgos em massa no Judiciário, aprovou emendas constitucionais que concentraram poder no Executivo e reduziram drasticamente os contrapesos institucionais. Tudo sob o discurso da defesa da ordem e da estabilidade. E nem mesmo as democracias mais consolidadas estão imunes. Vejam o que ocorre, atualmente, nos Estados Unidos sob Donald Trump. O laranjão aloprado está passando o trator sore tudo e todos.

Não. O Brasil não está nos estágios finais de um golpe de Estado. Mas flerta perigosamente com o começo do caminho. Quando o STF acumula funções incompatíveis, se fecha em sigilo, reage mal à crítica e ensaia mecanismos de blindagem, ele não fortalece a democracia. Pior. Enfraquece a confiança no sistema. E confiança perdida não se recompõe com notas técnicas vazias, votos longos ou solenidades com magistrados chorando. Muito menos com familiares de ministros enriquecendo de forma desproporcional.

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp
  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Gustavo Gayer é internado com quadro de obstrução intestinal

Gustavo Gayer é internado com quadro de obstrução intestinal
2

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6×1
3

Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel que mostrou queda de Flávio

Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel que mostrou queda de Flávio
4

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes
5

Crusoé: Os fantasmas golpistas na eleição peruana

Crusoé: Os fantasmas golpistas na eleição peruana
6

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street

OpenAI mira abertura de capital em Wall Street
7

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets
8

Nunes Marques endossa suspeita sobre pesquisa

Nunes Marques endossa suspeita sobre pesquisa
9

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”

Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”
10

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos
1

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos

A inútil exploração eleitoral do Pix para convertidos
2

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes

Governo interrompe vacina da dengue após casos graves e duas mortes
3

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6x1

Entidades empresariais pedem alternativa à PEC da 6x1
4

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos
5

Crusoé: Quem é Roberto Sánchez, que lidera a contagem no Peru

Crusoé: Quem é Roberto Sánchez, que lidera a contagem no Peru
6

Crusoé: Trump ameaçou abandonar Israel?

Crusoé: Trump ameaçou abandonar Israel?
7

Janja rebate Silas Malafaia: "Insignificante é ele"

Janja rebate Silas Malafaia: "Insignificante é ele"
8

Crusoé: Mais um fiasco para Datena?

Crusoé: Mais um fiasco para Datena?
9

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets

Após pressão, Fazenda promete abrir documentos sigilosos sobre bets
10

Governistas veem "tiro no pé" da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa

Governistas veem "tiro no pé" da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa
1

Reis da camuflagem: 7 animais que conseguem desaparecer na natureza 

Reis da camuflagem: 7 animais que conseguem desaparecer na natureza 
2

Crusoé: Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Crusoé: Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado
3

Crusoé: Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Crusoé: Carta do PT a evangélicos não menciona aborto
4

5 orações para o Dia de São José de Anchieta

5 orações para o Dia de São José de Anchieta
5

Crusoé: “Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim”

Crusoé: “Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim”
6

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio
7

‘Gênero não é salvo-conduto para prática de crime’, diz Cármen Lúcia

‘Gênero não é salvo-conduto para prática de crime’, diz Cármen Lúcia
8

TSE decide hoje se suspende pesquisa que mostrou queda de Flávio

TSE decide hoje se suspende pesquisa que mostrou queda de Flávio
9

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos
10

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp

Tags relacionadas

STF
< Notícia Anterior

Esses 3 signos entram no novo ano com planos totalmente diferentes

26.12.2025 00:00 4 minutos de leitura
Esses 3 signos entram no novo ano com planos totalmente diferentes
Próxima notícia >

Esse SUV queridinho das famílias ainda faz sentido pelo preço atual?

26.12.2025 00:00 4 minutos de leitura
Esse SUV queridinho das famílias ainda faz sentido pelo preço atual?
avatar

Ricardo Kertzman

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Ita

26.12.2025 11:46

Caro Ricardo, acredito que poderia também ter usado exemplos de governos ditatoriais de esquerda tais como Venezuela. Claro, não quiz julga-lo parcial, só uma observação.-


Rosa

26.12.2025 11:23

Sempre excelente!!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Ita

26.12.2025 11:46

Caro Ricardo, acredito que poderia também ter usado exemplos de governos ditatoriais de esquerda tais como Venezuela. Claro, não quiz julga-lo parcial, só uma observação.-


Rosa

26.12.2025 11:23

Sempre excelente!!



Icone casa
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé