“Nenhuma manobra impedirá o avanço das investigações”, diz Carlos Viana
CPMI do INSS, do Congresso, cancelou reunião desta segunda-feira após os dois nomes convocados informarem que não compareceriam
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira, 17, que “nenhuma manobra, ausência ou protelação irá impedir o avanço das investigações“ sobre o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. O parlamentar fez a afirmação ao confirmar que a reunião de hoje do colegiado foi cancelada porque os dois convocados informaram que não compareceriam.
“O investigado [Thiago] Schettini obteve recentemente decisão de habeas corpus, garantindo-lhe o direito de não comparecer, e informou que não virá. O investigado Jucimar [Fonseca da Silva] apresentou atestado médico alegando impossibilidade de prestar depoimento. Entretanto, após avaliação realizada pela junta médica do Senado Federal, foi concluído que ele possui plena condição de depor. Diante disso, a CPMI poderá insistir em sua oitiva em momento oportuno“, ressaltou Viana.
Ainda de acordo com o senador, a CPMI “seguirá firme, comprometida e determinada a expor toda a verdade sobre o maior escândalo contra aposentados, viúvas e órfãos do Brasil”.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), se manifestou, mais cedo, também sobre a decisão dos convocados de não comparecer.
“A CPMI do INSS tem avançado nas investigações e a ‘turma do mal’, que roubou aposentados, está com medo e fugindo do colegiado. Hoje vimos isso, com habeas corpus e atestado médico para não depor. Podem começar a correr, mas serão indiciados e presos. A impunidade não prevalecerá!”, escreveu o deputado, no X.
Operação da PF dá novo fôlego à CPMI do INSS
A deflagração da 4ª fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), para apurar desvios em aposentarias e pensões, deu um novo fôlego à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Agora, parlamentares acreditam que, com o desdobramento das investigações, será possível se chegar aos chamados “peixes grandes” no esquema.
Dois nomes são apontados por integrantes da CPMI como possíveis futuros alvos da Polícia Federal: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi.
Sobre Weverton, a esperança da CPMI é que a PF consiga desdobrar eventuais relações dele com o empresário Gustavo Marques Gaspar. Gaspar foi ex-assessor do senador.
Ele é apontado não somente como homem de confiança de Rocha, como alguém que teria assinado um documento que dava amplos poderes ao consultor Rubens Oliveira Costa, apontado pela PF como o “carregador de mala” do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
No caso de Lupi, a esperança é que ocorram desdobramentos das relações dele com a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), se houve alguma triangulação com o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso na semana passada, ou mesmo algum pagamento ao ex-ministro no período em que Stefanutto comandou a autarquia federal.
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