Lula escolhe Teresa Leitão como nova líder do governo no Senado
Senadora do PT de Pernambuco sucede Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o posto após ser alvo da Operação Compliance Zero
O presidente Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira, 25, que escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para ser a nova líder do governo no Senado Federal. Ela sucede Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o posto após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
Lula fez o anúncio pelo X. “Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros”, escreveu.
Teresa Leitão é senadora por Pernambuco desde 1º de fevereiro de 2023. É a atual líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado. Ela foi deputada estadual de Pernambuco de 1º de fevereiro de 2003 a 1º de fevereiro de 2023.
Nascida no Recife em 7 de outubro de 1951, ela tem 74 anos. É filiada ao PT desde 2000. É professora, pedagoga e sindicalista.
A saída de Jaques Wagner
Jaques Wagner anunciou na quarta-feira, 24, sua saída da liderança do governo na Casa Alta. O anúncio foi feito após o petista se reunir com Lula
“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal“, escreveu Wagner no X.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, complementou.
Na semana passada, após a deflagração da operação, Lula chegou a conversar com Jaques Wagner por telefone.
Segundo o senador, Lula ligou para ele para prestar solidariedade diante da operação. Conforme Wagner, na ligação, o presidente disse que a investigação se trata de uma “tentativa de desestabilizar“ o congressista.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo. Dizer que mantém a absoluta confiança nele. A gente se conhece há 48 anos. E, portanto, ele sabe qual é o meu jeito de agir. Aliás, a Bahia sabe, porque a Bahia é terra de muro baixo. Se eu tivesse qualquer tipo de esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia”, falou o parlamentar.
“Vou repetir: eu não tenho CNPJ, eu só tenho o eu CPF. Então, ele só ligou para dizer ‘fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’. Então, do meu ponto de vista, o que eu tenho até agora do presidente Lula é a solidariedade ao ocorrido”.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou na quinta uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, buscou-se cumprir 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca foi o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também buscou-se cumprir medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quanto em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
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