Galípolo: Master não oferece risco sistêmico, mas uso do dinheiro “chama a atenção”
Presidente do Banco Central participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal nesta terça
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, 19, que o Banco Master “não oferece risco sistêmico” para o Sistema Financeiro Nacional, mas que concorda que “o que foi feito com o dinheiro” que estava na instituição financeira consterna as pessoas.
As declarações foram feitas durante participação em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
“Eu concordo que o que está consternando as pessoas, como eu disse, não é o passivo [dívida do banco], é o que foi feito com o dinheiro. O que está consternando as pessoas… vejam, ele é um banco S3, ele é um banco – como eu já disse, para explicar para as pessoas, espero que os outros bancos S3 não se ofendam – da terceira divisão do futebol, que é o sistema financeiro brasileiro. Ele é um banco que não oferece risco sistêmico, ele é menos de 0,5% [do patrimônio do sistema]”, falou Galípolo.
“Me parece que o que tem chamado a atenção das pessoas é o que se fazia com o dinheiro que estava no Banco Master. É menos um problema de você entender que existe um risco sistêmico para o sistema financeiro e mais o que se fazia com aquele dinheiro”, pontuou.
“Dentro do BC, o que o BC fez? Imediatamente instruiu uma auditoria e uma sindicância para investigar se existia alguém que tinha autuado com dolo. Essas duas pessoas que foram identificadas por essa auditoria e sindicância estão afastadas e estão com os seus casos na CGU, que é o órgão competente para julgar o processo administrativo e estão informadas à PF para fazer as devidas investigações”.
Os servidores citados são Paulo Sérgio Souza e Belline Santana, que foram alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Em outro momento da audiência, Galípolo foi questionado pelo presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre visitas que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez ao BC nos últimos anos. O senador ressaltou que foram 24 visitas apenas durante a gestão de Roberto Campos Neto no BC e quis saber se esse é um padrão comum na autoridade monetária ou se foi apenas um caso isolado.
“Acho que tem um depoimento que veio a público, no STF, do próprio Dnaiel Vorcaro, onde ele faz uma queixa dizendo o seguinte: ‘eu estava sob um controle tão duro do BC no último ano, que eu me sentia num regime de administração especial pra que eu não pudesse fazer negócios’. E efetivamente foi isso que aconteceu“, disse Galípolo, em resposta.
“Quando a gente tem um banco que a gente está com receio sobre as atuações daquele banco, temos evidências e indícios de que possa estar tendo práticas que são inadequadas, a fiscalização vai acompanhar bem mais de perto aquele banco efetivamente”.
Ele prosseguiu: “Eu não participei da maior parte dessas reuniões, em primeiro porque até 2024 a minha diretoria nesses dois mandatos é relacionada com a estabilidade monetária”.
Depois, em 2025, disse Galípolo, muitas das reuniões com Vorcaro ocorreram com o diretor de organização do sistema financeiro e com o diretor de fiscalização “ao longo desse processo”.
“Mas, sim, ele é um processo que dialoga com a particularidade do banco em questão, seja na condição que ele passava do ponto de vista financeiro, seja sobre o nível de fiscalização e supervisão que era necessário em função, de novo, o BC não pode dizer que alguém cometeu fraude, é só a justiça, é só a PF, é só o MP que vai investigar, mas com as evidências que nós tínhamos, ele demandava uma atenção mais forte mesmo”, acrescentou.
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