“Sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória”, diz Paes
Favorito na disputa ao governo do RJ, ex-prefeito despistou sobre possibilidade de disputar reeleição em 2030
Favorito na corrida ao governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD, foto) foi questionado se está disposto a disputar a reeleição em 2030.
“Se eu fizer um bom trabalho, sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória”, disse o ex-prefeito à BBC, durante um evento em Oxford, no Reino Unido, no final de semana.
O Rio é o estado com o maior número de ex-chefes do Executivo que já passaram pelo sistema prisional.
Praticamente todos os governadores eleitos entre 1998 e 2020 enfrentaram problemas com a Justiça.
Alvo da Lava Jato, o ex-governador Sérgio Cabral permanece recordista em condenações. Ele foi preso em 2016 e hoje responde em liberdade.
A lista de gestores que enfrentaram o sistema prisional inclui ainda Luiz Fernando Pezão, Antony Garotinho, Rosinha Garotinho e Moreira Franco.
Até mesmo o ex-juiz Wilson Witzel, que chegou ao poder sob o discurso de “homem da lei”, sofreu impeachment e foi alvo de operações policiais.
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Combate ao crime organizado
Paes também foi questionado sobre a megaoperação Contenção, deflagrada no ano passado nos complexos do Alemão e da Penha.
Apesar das críticas que fez à operação, o ex-prefeito disse que “delinquente que usa roupa de guerra e arma pesada contra o Estado vai ter que ser neutralizado”.
“Eu disse isso à época e repito agora: aquilo foi uma operação que só foi feita porque se chegou a um nível no Complexo do Alemão pela inoperância do governo do Cláudio Castro. E aquilo que a gente previa se confirmou: no dia seguinte, [os criminosos] já estavam todos lá de volta, ou foram substituídos. As comunidades do Alemão e da Penha continuam dominadas pelo crime organizado”, acrescentou.
“Ou seja, não foi uma operação dentro de uma política pública de segurança, foi um gesto eleitoral. E é óbvio que ninguém gosta de 117, 122 pessoas mortas, inclusive os cinco agentes da lei. Quem se satisfaz com uma cena dessas não pode ser normal. Mas, eventualmente, o Estado tem o monopólio do uso da força, inclusive da força letal”, continuou.
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