Galípolo vai ao Senado e deve falar sobre caso Master
Presidente do Banco Central participará de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa Alta na terça-feira
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal vai realizar uma audiência pública na terça-feira, 19, a partir das 10h, para ouvir o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre as atividades da autarquia e seu desempenho na política monetária.
Durante o evento, Galípolo deve ser questionado pelos senadores também sobre o caso das fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a liquidação extrajudicial, como ocorreu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, da Casa, em 8 de abril.
Segundo a Agência Senado, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que a presença do presidente da autoridade monetária no colegiado é muito importante, porque “muitas perguntas continuam a ser feitas sobre o papel do BC na crise do Master”.
Na CPI do Crime Organizado, no mês passado, Galípolo declarou não haver indícios que apontem responsabilidade do ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto pelo colapso do Master. A declaração provocou reação imediata no Palácio do Planalto e na direção do PT, que vinham trabalhando para associar o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Questionado por senadores sobre o caso Master, Galípolo garantiu que “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto”. “Consigo relatar aqui o que está nos autos”.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protestou publicamente: “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto. Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”.
CPI do Master vai sair do papel?
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou a lideranças parlamentares nesta segunda-feira que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master não é prioridade da Casa.
No domingo, 17, antes de uma corrida promovida pela Câmara, Motta havia afirmado que dará “tratamento regimental” ao pedido de investigação.
“Nós vamos dar um tratamento regimental a essa situação”, disse ele. Em seguida, ao ser novamente questionado sobre o tema, ele declarou a jornalistas: “Vamos cumprir o regimento da Câmara que vai nortear a decisão do presidente”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por sua vez, também não dá qualquer sinal de que vai criar uma CPI na Casa ou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes financeiras envolvendo o Master.
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