Ciro Nogueira promete reapresentar “emenda Master”
"É mentira que esta emenda foi publicada na íntegra conforme foi recebida", defende-se o senador alvo da Operação Compliance Zero
O senador Ciro Nogueira (PP-PI, foto) divulgou um vídeo para se defender das suspeitas levantadas pela quinta fase da Operação Compliance Zero.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o presidente nacional do PP apresentou uma emenda para favorecer o Banco Master em troca de benefícios financeiros, entre eles pagamentos mensais de até 500 mil reais por mês.
“Não é a primeira vez que sou vítima de ataques em ano eleitoral. Mas essa tática não funcionou em 2018 e não vai funcionar agora”, diz o senador no post em que o vídeo foi compartilhado no Instagram.
“Eu sigo de cabeça erguida, consciência tranquila e confiança de que a verdade vai prevalecer mais uma vez. Quero que a polícia investigue com rigor, pois sei que não cometi nenhuma irregularidade e isso ficará provado novamente. Com o tempo e os fatos, nós vamos desmascarar mais essas mentiras de quem tenta me parar”, completa o texto.
No vídeo, o senador promete reapresentar a emenda pela qual a Justiça o impediu de se comunicar com os outros investigados da Compliance Zero, inclusive seu irmão, e questiona: “Por que começar esta operação por um líder da oposição?”.
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“A história se repete”
“Em 2018, dez dias antes das eleições, eu fui alvo de uma operação da Polícia Federal igual a que aconteceu na semana passada aqui em Brasília. Na época, me acusaram falsamente de coisas muito graves: receber malas de dinheiro de um empresário, atuar no Congresso em defesa de uma construtora, receber caixa dois. Passaram dias repercutindo matérias repetidas sem parar pela imprensa. A investigação correu, quebraram sigilos, buscaram provas e a conclusão do inquérito foi essa: a PGR não viu elementos suficientes para sustentar a acusação nem indícios mínimos. Também concluíram que não foram comprovadas as alegações. E, felizmente, meu trabalho falou mais alto e eu fui reeleito o senador mais votado do Piauí naquele ano”, diz Nogueira na gravação.
“Agora, que a história se repete. Eu vim aqui trazer algumas informações muito importantes. Sobre as acusações que estou sendo vítima, eu posso garantir: nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, neste caso, em qualquer outro. E tem mais: meu pai construiu uma empresa com muito sacrifício e, graças a Deus, ela tem muito sucesso. Agora, inventaram que recebi ilegalmente valores por meio dessas empresas. Valores que não chegam sequer a 1% do seu faturamento anual. Não chega a 0,5% do faturamento em 2 anos”, defende-se o senador, seguindo:.
“Outro absurdo: nós temos uma rede de concessionária de motocicletas que fatura em torno de 400 milhões de reais por ano e me acusam de depósitos de 3 milhões de reais nessa empresa. Isso é absolutamente comum em empresas dessas. Muitas peças, serviços são pagos em dinheiro, tudo com nota fiscal, tudo descrito em contabilidade, que uma auditoria pode ser feita por quem quiser.”
Emenda Master
“Tudo que eu quero é que a polícia investigue. Investigue com isenção e que o Judiciário julgue da mesma forma. Mas eu confesso que tem uma coisa que me causou muita estranheza: por que começar esta operação por um líder da oposição?”, questiona, antes de abordar a “emenda Master”.
“Agora, eu queria tocar em outro ponto central, a famosa ’emenda Master’, que corrige o Fundo Garantidor [de Crédito, FGC]. Primeiro ponto: é mentira que esta emenda foi publicada na íntegra conforme foi recebida. Este fundo é completamente privado. Quem financia o fundo são os bancos. Não é a União, não tem recursos públicos. Até hoje ninguém veio a público explicar por que este valor não é corrigido há 13 anos, 13 longos anos, sendo que isso só beneficia quem? Os grandes bancos e a concentração bancária em nosso país. Afinal de contas, o fundo garante quem? Os bancos? Não, minha gente, este fundo garante os correntistas. 250 mil reais não é um valor pequeno, mas muitas pequenas empresas, muitas pessoas que têm poupança de uma vida inteira, pode ser superior a isto. E, no caso de o banco quebrar, elas serão penalizadas”, defendeu-se.
Na decisão em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero, a PF descreve que o texto da emenda que ampliava a cobertura do FGC para 1 milhão de reais por depositante “foi elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado por André Kruschewsky a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’, no endereço residencial do senador, coincidente com aquele constante de seus dados fiscais”.
A garantia do FGC era propagandeada como segurança pelo Master, que vendia investimentos com promessas de retorno bem acima dos valores de mercado e, também, muito arriscados.
“Tomei a decisão de reapresentar agora a emenda”
Em sua defesa, o senador disse que “o que causa escândalo em um banco não é o FGC, é a falta de fiscalização”.
“Quem tem que fiscalizar é o Banco Central e quem indica os diretores do Banco Central é o presidente da República, e é ele que tem que ser cobrado por isso. O Master não foi o único banco brasileiro que deu problema. Ninguém mais se lembra do Bamerindus, Banco Econômico, Banco Santos e tantos outros? Quem socorreu a população nesses momentos? Diante disso, eu tomei a decisão de reapresentar agora a emenda corrigindo o valor do FGC, que pela Selic teria que estar acima de 840 mil reais. Agora não existe mais banco Master. Eu quero ver qual é a desculpa que os grandes bancos vão utilizar para negar esta proteção aos correntistas brasileiros”, diz Nogueira.
O senador atribuiu as investigações à aproximação das eleições:
“Nós, que estamos na política, entendemos porque que certas coisas acontecem. No meu estado, que é governado pelo PT, a polícia que o PT comanda fez uma operação vinculada à [Operação] Carbono Oculto, a chamada Carbono 86. Também tentaram vincular de todas as formas o meu nome, mas nada conseguiram. Essas coisas não surgem por acaso. Acontece porque estamos no ano eleitoral. As questões técnicas e as provas estão em segundo plano para eles.”
“Pesadelo”
“Mas, agora, eu quero mandar um recado muito claro para o mais importante, que é o povo do Piauí. Há 24 anos, nós estamos vivendo um pesadelo. Duas décadas e meia de um governo que não trouxe nenhuma indústria para o nosso estado, não resolveu problema de segurança e deixou sucateada nossas escolas e a nossa saúde. Eu não sou um senador de oposição ao estado, eu sou um senador de posição. A minha posição foi e continuará sendo trabalhar politicamente para fortalecer nossos municípios, melhorar a vida das pessoas. Meu trabalho é garantir recursos que mudam o nosso estado e isso é o que eu vou continuar fazendo até o fim”, prometeu Nogueira, que vai tentar a reeleição como senador pelo Piauí.
“Eu sei que isso incomoda, incomoda lá e incomoda aqui, mas, se alguém imagina que esse tipo de perseguição vai me intimidar de alguma maneira, eu quero deixar bem claro: o povo não é bobo. Os piauienses sabem distinguir muito bem o que é errado do que é certo. Eu sempre andei no caminho das coisas corretas, porque a coisa mais correta que se tem na vida pública é fazer o bem para o povo. Acusações, todos os políticos em algum grau já sofreram, ainda mais o presidente de um grande partido, com muita influência, como é o meu caso. Eu não serei o primeiro, nem serei o último. Agora, comprovar é outra história. Eu já passei por isso outras vezes. Para acusar, a criatividade é infinita. Na hora de comprovar, não conseguiram e não conseguirão. Sei que, até lá, o dano à minha honra já foi causado, mas eu tenho a consciência tranquila. O povo do Piauí me conhece. sabe que isso não passa de um roteiro absurdo de ficção contra mim. Com o tempo e com os fatos, nós vamos desmascarar mais essas mentiras de quem tenta me parar. Um grande abraço e vamos com tudo”, finaliza.
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