Caso Master: irmão de Ciro Nogueira usará tornozeleira eletrônica
Raimundo Neto é apontado como "agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador Ciro Nogueira"
Além da prisão de um primo de Daniel Vorcaro, a quinta fase da Operação Compliance Zero impôs monitoramento eletrônico a Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima (foto), irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Raimundo Neto é apontado como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador Ciro Nogueira” no esquema do Master.
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro bancou uma mesada de pelo menos 300 mil reais ao presidente nacional do PP, além de despesas pessoais, como hotéis de luxo, e até gastos no cartão de crédito.
Os pagamentos teriam resultado na apresentação da “Emenda Master”, que tinha por objetivo aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e proteger o negócio fraudulento do banco.
Administrador de empresa
O irmão do senador foi apontado como o administrado da CNLF Empreendimentos Imobiliários LTDA, por meio da qual os pagamentos era feitos, junto com a Green Investimentos S.A, presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo do dono do Banco Master.
“Embora apenas em 18.12.2024 tenha passado a figurar como administrador formal da CNLF EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., a autoridade policial verificou que seu nome já constava do contrato celebrado em 4.4.2024. Foi neste contrato que se estruturou a aquisição, pela CNLF, de 30% da Green Investimentos S.A., evidenciando atuação anterior e relevante na estruturação do negócio”, diz o despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou a quinta fase da Compliance Zero.
“Portanto, em juízo de cognição não exauriente, sua posição funcional não é acidental ou superveniente, mas voltada a conferir forma jurídica e cobertura documental à operação apontada como mecanismo dissimulado de transferência de vantagem econômica ao núcleo político investigado”, concluiu o ministro.
Mendonça impôs ao irmão do senador “a proibição de manter contato, por qualquer meio (inclusive telefônico ou telemático), com testemunhas ou demais investigados na Operação Compliance Zero”, “a proibição de ausentar-se do município de sua residência e do País, com entrega do passaporte na Polícia Federal no prazo de 48 horas” e “monitoração eletrônica por meio de tornozeleira como forma de assegurar o cumprimento das medidas impostas”.
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