Amorim compara investigação dos EUA a negociar “com o cano do revólver na cabeça”
Assessor de Lula descreveu a medida como a "bomba atômica das armas comerciais"
Ao contrário do vice-presidente Geraldo Alckmin, o ex-ministro de Relações Exteriores e assessor do presidente Lula (PT), Celso Amorim, adotou um tom mais crítico ao comentar o início de uma investigação dos EUA sobre o Brasil, nos termos da Seção 301 na Lei de Comércio de 1974.
Em entrevista à Bloomberg, Amorim usou uma analogia para expressar sua preocupação com o impacto política da medida:
“A simples ameaça do uso da Seção 301 já cria um tumulto em quem acha que pode ser objeto de sanções unilaterais e é uma forma que torna a negociação muito difícil. É como você negociar com o cano do revólver na cabeça“, disse.
Amorim classificou a iniciativa americana como “a bomba atômica das armas comerciais”.
Leia mais: Alckmin minimiza investigação da ‘Seção 301’ sobre o Brasil
Alckmin minimiza
Alckmin minimizou o início da investigação, afirmando que o dispositivo já havia sido acionado em outro momento, o “Brasil respondeu e o assunto foi encerrado”.
“Olha, primeiro sobre a investigação, a ‘Seção 301’, não é a primeira vez que é feito uma abertura de investigação. Isso já foi feito anteriormente, o Brasil respondeu e o assunto foi encerrado.
Dessa vez, o Brasil vai explicar. Você questionar desmatamento, mas o desmatamento está em queda. Aliás, o Brasil é um exemplo hoje para o mundo. Nós temos a maior floresta tropical do mundo, que é a floresta Amazônica. O Brasil tem o empenho em reduzir o desmatamento. A meta é desmatamento ilegal zero e recompor a floresta”, disse.
Ele também saiu em defesa do sistema de pagamento instantâneos, o Pix, que é um dos alvos da investigação americana. Segundo o governo dos EUA, o sistema usado pelos brasileiros prejudica a competitividade de empresas americanas como Google Pay e Apple Pay.
“Então, depois o Pix. O Pix é um modelo, é um sucesso. Propriedade intelectual, o INPI, estava levando sete anos para registrar uma patente. Nós reduzimos para seis, para cinco, para quatro… e no final do ano deve chegar a três e, no ano que vem, dois anos que é o padrão internacional.
Então, nós vamos explicar. Não tem nenhum problema. O que nós precisamos resolver é a questão tarifária”, afirmou o vice-presidente.
Seção 301’
Como mostramos, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), chefiado por Jamieson Greer, deu início a uma investigação sobre o Brasil nos termos da Seção 301 na Lei de Comércio de 1974.
A medida determinada pelo presidente Donald Trump, em carta enviada a Lula, apura se atos, políticas ou práticas do governo brasileiro “relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, interferência anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal” são prejudiciais ao comércio americano.
Greer afirmou que o escritório identificou “práticas desleais do Brasil” que “restringem a capacidade dos americanos” de acessar o mercado brasileiro há décadas.
“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”
“O USTR detalhou as práticas comerciais desleais do Brasil que restringem a capacidade dos exportadores americanos de acessar seu mercado há décadas no Relatório Nacional de Estimativa de Comércio (NTE) anual.
Após consultar outras agências governamentais, assessores credenciados e o Congresso, determinei que as barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil merecem uma investigação completa e, potencialmente, uma ação corretiva“, destacou Greer.
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Comentários (5)
Ita
17.07.2025 11:02Se seguir a linha PT/Lula/C. Amorim nada será resolvido aí é só ressentimento, palavrório populismo e incompetência e o Brasil - dos brasileiros - em segundo lugar. Se tivesse oportunidade, eu diria ao Amorim, igual antigamente: Ah!! vá pra Chiiina!!
Fabio B
17.07.2025 08:36O papel humilhante que o brasil se encontra não é só culpa do governo atual, foi pelas decisões erradas desde a constituição de 1988 que nos deixou frágeis, sem competitividade, com baixa produção e dependente de exportação de produtos primários. Mas o papel de bufão foi o Lula que nos colocou quando ficou bancando o bonzão, dando palpite em tudo que é assunto, bancando o porta-voz de interesses alheios, sem ganho algum para o país. E agora que veio uma reação estrangeira, cadê a China ou o BRCS que o Brasil igual um tonto tanto se colocou como voz? Vamos levar o chumbo sozinhos.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
17.07.2025 08:10Quem semeia vento....
Joao Paulo Da Mata PatrÃcio
17.07.2025 06:14“Quem tem medo do lobo mau?” , o PT cutuca e nós pagamos a conta!!
Marian
16.07.2025 23:50Cano na cabeça? Como é possível negociar ultrajando o adversário?