Advogado deixa defesa de Vorcaro após proposta de delação ser rejeitada
Integrantes da PF avaliaram que material apresentado por Vorcaro é frágil e boa parte da proposta já foi alvo de análise
O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão ocorre após a Polícia Federal (PF) rejeitar, na noite de quarta-feira, 20, de forma oficial, a delação premiada de Vorcaro.
Como mostramos, integrantes da PF avaliaram que o material apresentado pelo banqueiro é frágil e boa parte da proposta da delação já foi alvo de análise direta dos integrantes do órgão. A resposta da PF para a proposta de delação foi entregue formalmente aos advogados dele na noite de quarta.
Além disso, integrantes da corporação que acompanham o caso avaliam que Vorcaro errou ao tentar fazer uma espécie de “delação seletiva”. Nas tratativas iniciais, por exemplo, o banqueiro não falou sobre pagamentos para o filme “Dark Horse”, por meio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou sobre o custeio da mesada ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Vorcaro está preso preventivamente, investigado por fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A saída de Juca não é a primeira mudança na defesa dele. O advogado havia ingressado na defesa do banqueiro em março deste ano, em substituição a Pierpaolo Bottini. Além disso, naquele mês, o criminalista Roberto Podval confirmou que deixou a defesa também. Ele teria se mostrado insatisfeito com a contratação de Juca.
Pedido de transferência
Nesta semana, a defesa de Vorcaro pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele seja transferido da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal – a Papudinha.
O pedido ocorreu após Vorcaro ser retirado, na segunda-feira, 18, de acomodação especial na Superintendência da PF e passar a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito na mesma unidade.
Até a transferência desta semana, Vorcaro ocupava uma sala especial dentro da Superintendência — o mesmo espaço utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante período de detenção na corporação.
O novo espaço, de acordo com pessoas próximas ao banqueiro, tem estrutura mais precária, com restrições de banheiro e acomodação.
Além da mudança de cela, a PF endureceu as condições de acesso dos advogados ao preso. As visitas passaram a obedecer a horários específicos e controles mais rígidos definidos pela custódia da corporação.
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