Advogado confirma saída da defesa de Vorcaro
Roberto Podval era contrário à delação em negociação pelo banqueiro
O advogado criminalista Roberto Podval confirmou nesta segunda-feira, 23, que deixou a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.
A informação foi confirmada ao O Globo, mas Podval não detalhou os motivos da saída. O movimento, no entanto, já era esperado, uma vez que o advogado era contrário à negociação de um acordo de colaboração premiada, atualmente em curso por Vorcaro.
Além disso, segundo a reportagem, Podval teria se mostrado insatisfeito com a contratação do advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, para integrar a equipe jurídica.
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Juca
Lima tem experiência em acordos de colaboração premiada em casos de grande repercussão no país.
Além de defender o ex-ministro José Dirceu no escândalo do Mensalão, em 2012, o advogado participou do acordo de colaboração do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.
O advogado também atuou na defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, no processo relacionado à chamada trama golpista.
Antes disso, Oliveira Lima já prestava serviços jurídicos ao Banco Master, de Vorcaro, antes de o Banco Central (BC) decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro.
Delação
Como mostramos, Vorcaro iniciou negociações para um possível acordo de delação premiada.
A decisão teria sido tomada após informações de que outros envolvidos no caso também estariam dispostos a colaborar com as autoridades.
Entre eles está o cunhado Fabiano Zettel, que teria sido orientado por familiares a antecipar sua colaboração. Em investigações desse tipo, quem apresenta provas primeiro costuma obter condições mais favoráveis no acordo.
O ex-banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF no Distrito Federal, onde as tratativas devem avançar.
A assinatura do termo de confidencialidade representa o início de um processo com fases bem definidas.
Num primeiro momento, o ex-banqueiro se reúne com seus advogados para organizar os fatos que pretende apresentar às autoridades. Só após esse trabalho interno é que a defesa passa a discutir o material com a PGR e a PF.
Caso seja efetivada, a colaboração premiada deve ocorrer sob a supervisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
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