STF tipo exportação
Ex-primeira-dama do Peru confirma a má fama internacional do Supremo brasileiro, que parece querer mandar no mundo inteiro
O Supremo Tribunal Federal (STF) não tem cultivado boa fama no exterior.
Apesar de reportagem recente da revista The New Yorker ter pintado Alexandre de Moraes (foto) com cores positivas, o STF já foi apontado como um principais focos de leniência com a corrupção na América Latina por publicações de diversos países.
Leia mais: Toffoli amplia fama no exterior por enterrar combate à corrupção
A fama foi confirmada na terça-feira, 15, quando a ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia pediu asilo ao Brasil após ser condenada a 15 anos de prisão junto com o marido, o ex-presidente peruano Ollanta Humala, por lavagem de dinheiro em caso que envolve a Odebrecht, decorrente da Operação Lava Jato.
A defesa de Heredia alega que os promotores e juízes peruanos adotaram os mesmos métodos de Sergio Moro, juiz responsável pela operação no Brasil, e da força-tarefa da Lava Jato, que os advogados da ex-primeira-dama denunciam como ilegais.
Não colou
A tese que desmontou a Lava Jato no Brasil não colou no Peru. E também é possível dizer, mesmo diante da série de anulações, que não colou no Brasil, onde 50% da população acredita que a operação fez mais bem do que mal ao país, contra apenas 28% que pensam o contrário.
Em pesquisa Genial/Quaest divulgada em março de 2024, 74% dos consultados também disseram acreditam que o STF incentiva a corrupção no Brasil ao interferir nos acordos de leniência firmados durante a Lava Jato.
Assine Crusoé e leia mais: A vitória da Lava Jato
Ainda assim, o decano do STF, Gilmar Mendes, não perde uma oportunidade de reclamar da operação, que outrora louvou publicamente, com alegações que não se sustentam. É por essas e outras que o Brasil surge agora como refúgio para condenados por corrupção.
Supremo tribunal mundial?
Curiosamente, o STF desponta também, pelas mãos pesadas de Moraes, como uma espécie de tribunal mundial — pelo menos na vontade.
O ministro cobrou explicações do governo espanhol pela negativa para deportar Oswaldo Eustáquio e retaliou com a suspensão da extradição de um búlgaro preso por tráfico de drogas.
O movimento do ministro lembra a inusitada inclusão do bilionário Elon Musk no inquérito das milícias digitais durante a crise com o X em 2024, e põe em questão, mais uma vez, o ímpeto de Moraes, que parece não respeitar nem os limites de atuação do próprio STF.
O senador Sergio Moro (União-PR) destacou que “o STF apenas autoriza a extradição se estiver conforme aos requisitos da lei e do tratado”, e que “cabe ao Executivo a decisão de extraditar ou não”.
Uma comparação
Uma comparação com o caso do salvadorenho Kilmar Armando Abrego Garcia, deportado dos Estados Unidos para o país natal recentemente, ajuda a colocar as coisas em perspectiva.
A Suprema Corte americana ordenou que Washington facilite o retorno de Abrego Garcia aos Estados Unidos, já que ele teria sido deportado como consequência de um erro administrativo. Quer dizer, a ordem foi dirigida ao governo americano, e não ao de Nayib Bukele.
O presidente de El Salvador, que esteve com Trump nesta semana e falou sobre o assunto na Casa Branca, disse que não pode devolver Abrego Garcia aos EUA. A questão deverá ser resolvida, contudo, pelos meios diplomáticos, e não judiciais.
Esse é o tamanho da distância entre os sistemas de justiça americano e brasileiro.
Leia mais: O que ninguém falou na Brazil Conference sobre Gilmar, um patrocinador e Lava Jato
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
CLAUDIO NAVES
16.04.2025 11:16O burro mais danoso dizia um ex diretor meu companheiro é o corajoso , pois este causa muito mais estrago !