Michelle afasta Flávio da vitória, mas não muda o quadro eleitoral
Flávio já não era favorito antes dessa briga. Aliás, nunca foi. Ensaiou um sprint, pareou com Lula, mas foi abatido pelo Dark Horse
Até poucos dias atrás, Flávio Bolsonaro precisava convencer o eleitor anti PT de que poderia ocupar, com legitimidade, o trono do pai. Agora, terá de convencer a porção “michellista” do mercado, digo, eleitorado.
As declarações públicas de Michelle Bolsonaro na quarta-feira, 24, afirmando ter sido desrespeitada, maltratada e tratada como idiota pelo grupo do enteado, transformaram uma antiga divergência doméstica em mais uma crise bolsonarista.
Dessa vez, não é Daniel Vorcaro ou Donald Trump, mas a mulher que, depois do próprio Jair Bolsonaro, talvez seja a figura mais popular e influente da seita bolsonarista, algo como 20% de quem hoje pretende voltar no Tarantino tupiniquim.
MMA para todo o Brasil
Em política, roupa suja deve ser lavada em casa. Ainda que a protagonista tenha tentado colocar panos quentes nessa quinta-feira, 25, as mudas mal-ajambradas estão penduradas no varal das redes sociais. Como é mesmo? “O print é eterno”.
Flávio Bolsonaro jamais seria – ou será – eleito presidente apenas com os votos do bolsonarismo-raiz. Nenhum candidato vence uma eleição presidencial no Brasil falando apenas para sua turba de convertidos. Isso é fato.
Para chegar ao Planalto, será necessário ampliar fronteiras, reduzir a rejeição e atrair, sobretudo, mulheres, evangélicos moderados e parte do eleitorado de centro. É justamente onde Michelle pode ajudar ou atrapalhar.
Não há terra arrasada
A ex-primeira-dama – ainda que não gostem os bolsokids – não é apenas “a esposa do Jair”. Ela construiu capital político próprio. Tem enorme penetração junto ao eleitorado feminino conservador e exerce influência real sobre lideranças religiosas e militantes.
Um apoio frio, burocrático ou apenas protocolar não inviabiliza Flávio, mas retira dele milhares de votos preciosos. Uma treta pública, então, é quase uma sentença de morte, pois as eleições presidenciais serão decididas por poucos pontos.
Contudo, não há que se exagerar ou superestimar o dano do episódio. A nova crise familiar enfraquece ainda mais Flávio, é verdade, mas não altera substancialmente o quadro eleitoral, como não alterou o áudio com o “irmão” Vorcaro.
Tudo o mais constante
Flávio já não era favorito antes dessa briga. Aliás, nunca foi. Ensaiou um sprint, pareou com Lula, mas foi abatido pelo Dark Horse. As pesquisas mais recentes mostram o chefão petista à frente em todos os cenários testados.
Ou seja, se a “alma mais honesta desse país” já liderava quando Micheque, ops, Michelle estava silenciosa, continuará liderando após as críticas, e assim seguirá enquanto não surgir um fato político de grande magnitude.
Em outras palavras, Michelle não retirou Flávio da condição de favorito, porque ele nunca esteve nela. Apenas o distanciou ainda mais de uma dificílima vitória. O bolsonarismo precisa de unidade absoluta para voltar ao Planalto.
Terceira via?
Diferentemente do pai do Ronaldinho dos Negócios, que dispõe da máquina, de alianças e de um eleitorado fiel – além dos mais de R$ 200 bilhões em benesses eleitoreiras -, Flavinho Rachamaster depende da transferência integral do capital político do pai.
Quando a madrasta do candidato – e cuidadora do pai enfermo, ou moribundo, a depender dos interesses – vai às redes sociais dizer que foi humilhada pelo enteado, essa transferência deixa de ser automática e se torna mais difícil.
Assim, se o tabuleiro não mudou e Lula continua favorito, é certo que ficou ainda mais difícil imaginar o 01 chegando ao Palácio do Planalto em outubro. Bom para Lula, claro. E para quem ainda sonha com uma alternativa de undécima hora.
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Comentários (2)
Marcos Rainho
25.06.2026 11:38SEMPRE SOUBE QUE O FLAVIO NÃO ERA PAREO PARA O DESCONDENADO MAS O PROJETO DE PODER DA FAMÍLIA FALOU MAIS ALTO (EM DETRIMENTO DO CRESCIMENTO DO BRASIL). AGORA TEREMOS MAIS QUATRO ANOS DE DESGOVERNO, CONTAS ARROMBADAS (E ROUBADAS) E APARELHAMENTO DO stf. O BRASIL ACABOU GRAÇAS AOS ELITORES BURROS E A CANDIDATOS ESPERTALHÕES. TRISTE BRASIL. TRISTE POVO BURRO.
Depois esse episódio acho bom os bolsonaristas chorarem, e os lulistas comemorarem a vitória do descondenado. Por uma lado seria bom. Lula pegará um país falido. Se quiser dar mais esmolas para os pobres não terá $. E se imprimir $, o país pedira impeachment do Lulex.