Heleno queria vacinar Bolsonaro
Nenhum dos advogados nega que tenha ocorrido uma trama golpista, mas todos tentam desvincular seus clientes de punição por ela no julgamento do STF
No segundo e último dia da apresentação das defesas dos réus do “núcleo crucial” da trama golpista julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nenhum dos advogados negou que tenha ocorrido uma trama golpista, mas todos tentaram desvincular seus clientes de punição por ela.
O advogado Matheus Mayer tentou desvincular de Jair Bolsonaro o general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.
“Para o general Heleno, o presidente tinha que se vacinar. Isso está na sua caderneta pessoal. Era um pensamento do próprio general”, disse o defensor, apresentando a página da agenda (foto).
Sem vacina
A vacina virou uma questão no governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid. O então presidente disseminou desconfiança sobre a vacinação ao mesmo tempo em que seu governo promovia a imunização contra o coronavírus.
O cartão de vacina de Bolsonaro chegou a ser forjado para fingir que ele tinha sido vacinado. A Polícia Federal indicou Bolsonaro por isso, mas o caso acabou arquivado por Alexandre de Moraes por falta de provas.
Segundo Mayer, Heleno começou a se distanciar de Bolsonaro quando o então presidente se filiou ao PL, no fim de 2021, e se aproximou ainda mais do Centrão, desprezado pelo general. Sob esse argumento, Heleno teria menos envolvimento na trama golpista do que a acusação alega.
Sem provas
O advogado do ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto preferiu protestar contra o cerceamento de defesa, pelo qual pediu a anulação do processo, e alegar que não há provas contra o cliente, sem entrar no mérito de se houve ou não uma trama para dar um golpe de Estado.
“Com toda essa quantidade industrial de documentos, o que temos contra Braga Netto é essa delação e oito prints”, reclamou José Luis de Oliveira Lima, o Juca, que se notabilizou por defender José Dirceu no julgamento do mensalão.
Demover de quê?
Já a defesa do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira chegou a dizer que ele tentou demover Bolsonaro da trama golpista. A alegação levou a questionamento da ministra Cármen Lúcia.
“Por que Vossa Senhoria, eu copiei aqui cinco vezes, diz que o réu, neste caso, o cliente de Vossa Senhoria, ‘estava atuando para demover o presidente da República’. Demover de quê?”, questionou a ministra.
“Claro, claramente, Excelência. Demover de adotar qualquer medida de exceção. Atuou ativamente e há prova dos auto”, respondeu Andrew Fernandes Farias.
Bolsonaro
Nem o advogado de Bolsonaro, Celso Villardi, negou a existência de uma trama para golpe.
“Dizer que o crime de abolição do Estado de direito começou numa live sem violência é subverter o próprio Código Penal. Compara-se à questão da fuga de presídio. O planejamento não é execução, por mais detalhado que ele possa ser”, argumentou Villardi.
Diante dessas defesas, é de se questionar o que o Brasil ganha (ou perde) com a aprovação da tal anistia “ampla, geral e irrestrita” por que os aliados de Bolsonaro batalham hoje no Congresso Nacional.
Leia mais: “Se o julgamento for jurídico, não há por que condenar Bolsonaro”, diz advogado
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)