Deputado estadual foi “eleito para beneficiar” o CV, diz procurador
TH Joias é acusado de facilitar a compra de armas para facção do Rio e de empregar integrantes em seu gabinete
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, afirmou nesta quarta, 3, que o mandato de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (foto), do MDB, serve para beneficiar a organização criminosa Comando Vermelho (CV).
TH Joias foi preso em uma operação conjunta das polícias Federal e Civil, além do Ministério Público, por envolvimento com a facção. Segundo as investigações, o deputado nomeou membros do CV como assessores parlamentares.
“Não posso dizer que o tráfico de drogas tenha eleito o parlamentar. Mas posso afirmar que o parlamentar foi eleito para, se valendo do mandato, beneficiar essa organização criminosa. Isso é certo, porque antes de ser parlamentar, o hoje deputado já integrava o Comando Vermelho”, disse Moreira.
“O simples fato de ele exercer o mandato parlamentar, nomear assessores diretos, cargos de confiança, vinculados ao Comando Vermelho, já revela suficientemente que a finalidade do mandato é basicamente, e eu diria unicamente, beneficiar de qualquer maneira a organização criminosa“.
Para a Polícia Civil, TH também intermediava a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones para o CV.
“As organizações criminosas hoje não se limitam a dominar territórios das chamadas comunidades. Essa é a grande preocupação nossa no Ministério Público”, afirma Moreira.
Operação Zargun
Em ação conjunta com o Ministério Público e a Polícia do Rio de Janeiro, a PF deflagrou a Operação Zargun para desarticular uma organização criminosa ligada à cúpula do Comando Vermelho.
Por determinação das Justiças Federal e Estadual, os policiais cumprem 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região também ordenou o sequestro de bens e valores dos investigados, totalizando 40 milhões de reais, “além do afastamento de agentes públicos, suspensão de atividades de empresas utilizadas para lavagem de dinheiro e transferência emergencial de lideranças da facção para presídios federais de segurança máxima”.
Segundo a PF, as investigações identificaram “um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, ex-secretário municipal e estadual e um deputado estadual empossado em 2024”.
“A organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais”, afirmou a PF em nota.
“A operação integra os esforços da Operação Redentor 2, voltada à implementação das diretrizes do STF no âmbito da ADPF 635, com foco na ampliação dos recursos humanos e materiais destinados ao combate à criminalidade violenta no estado do Rio de Janeiro”, continuou.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Leia mais: Polícia mira deputado estadual acusado de envolvimento com CV
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Ariadne
03.09.2025 18:23Misericórdia... O brasileiro está votando pior do q nunca...