Campanha “ricos contra pobres” só serviu para atiçar base de Lula
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16, indica que a apelação para aumentar impostos teve efeito localizado e é rejeitada pela maioria dos brasileiros
O governo Lula (à direita na foto) se animou com os resultados da perigosa campanha de “ricos contra pobres”, à qual apelou na esperança de justificar o aumento de impostos no Brasil. Mas pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16, indica que a apelação teve efeito localizado e é rejeitada pela maioria dos brasileiros.
O limite da campanha, que elegeu o Congresso Nacional como “inimigo do povo”, está sendo obscurecido pelo efeito do tarifaço de Donald Trump na popularidade de Lula, mas é importante destacá-lo, porque Lula não deve colher os louros do discurso nacionalista por muito tempo — o Lulômetro, medido por O Antagonista e Real Time Big Data já aponta nesta quarta oscilação negativa de dois pontos no quesito ótimo/bom em relação a segunda-feira, 14.
“Justiça tributária”
Antes de tudo, é preciso destacar que o discurso malicioso da “justiça tributária”, sacado apenas após o Congresso implicar com o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tem espaço para reverberar: 63% dos 2.004 ouvidos de 10 a 14 de julho disseram que o “governo deve aumentar imposto dos mais ricos para diminuir o dos mais pobres”.
Além disso, 40% acham que a meta fiscal deveria ser cumprida aumentando arrecadação, contra 41% que preferem cortes de gastos, que o governo Lula se recusa a fazer desde o início da gestão, com receio de perder popularidade. Ou seja, aumentar a arrecadação não soa tão ruim assim — pelo menos até os brasileiros sentirem o aumento no próprio bolso.
A prometida ampliação de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais por mês, que foi aprovada nesta quarta em comissão especial da Câmara dos Deputados, também tem o apoio da maioria (75%), assim como a “elevação da taxa de IR para os super-ricos” (60%).
Essa segunda pauta, necessária para compensar o aumento da isenção, não tem garantia de aprovação no Congresso, contudo, e ameaça complicar ainda mais a saúde fiscal do perdulário governo Lula.
Más notícias
A primeira má notícia da pesquisa para Lula é que o malandro discurso de “justiça tributária” não chegou à maioria (56%) da população, mesmo com a robusta máquina de propaganda do governo, e 72% dos brasileiros não viram qualquer conteúdo que criticava o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por supostamente apoiar os ricos.
Uma quantidade ainda maior de pessoas (83%) não viu os vídeos feitos pelo governo com Inteligência Artificial para atacar o Congresso sob a mesma acusação dirigida a Motta — os lulistas viraram as baterias contra o parlamento quando começou a ameaça de derrubar o aumento do IOF.
Talvez esses limites para reverberar a narrativa a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência tenha aberto uma nova licitação para a contratação de empresas para gerenciar a comunicação digital do governo Lula. A primeira megalicitação, avaliada em 197 milhões de reais, foi cancelada após O Antagonista apontar indícios de irregularidades no processo.
Outra má notícia: para 59% dos consultados, o governo Lula deveria aceitar um acordo com o Congresso para pacificar a questão do IOF — e não é o que ocorreu na audiência de conciliação promovida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e o caso ficou por ser definido pelo próprio STF.
Pobres contra ricos
Mas o pior para o governo Lula é que 53% dos questionados disseram que o discurso que coloca ricos contra pobres “não está certo, porque cria mais briga e polarização no país”. Apenas 39% acham o discurso certo, “porque chama atenção para os privilégios de alguns”.
Além disso, apenas 34% se disseram representados pela nova agenda do governo, contra 59% que não se sentem contemplados pelo discurso do ressentimento. E 79% disseram que o conflito entre governo e Congresso mais atrapalha do que ajuda o país.
Quando passar o furacão da tarifa adicional de Trump, é isso que vai restar do governo Lula, e provavelmente agravado pelas sequelas do enfrentamento com o caótico presidente americano.
Leia mais: Não parece, mas Genial/Quaest é desastrosa para Lula
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)