Por que os piores vencem as eleições?
Filósofo e economista Friedrich von Hayek explicou as condições determinantes que unem os que sabotam a democracia
Golpistas à direita e à esquerda costumam discordar, mas desde os primeiros estudos comparativos de Aristóteles sobre a experiência política ateniense, e os diversos arranjos possíveis, a democracia é, como disse ou teria dito Winston Churchill, “o pior dos regimes, à exceção de todos os outros”.
É bom ter isso em mente quando se discute a filosofia política como deveria ser ou a realpolitik como ela é. Na tensão entre o desejável e o possível, o improvável e factível, equilibramos nossas expectativas e ensaiamos algumas precárias soluções. Na dúvida, trocamos. Mudamos de ideia. Nos filiamos ou nos desfiliamos de um partido.
Defender a democracia de seus sabotadores, que são muitos, de dentro e de fora de seus muros institucionais, nem de longe significa aceitar suas falhas como fatos da natureza; menos ainda pressupor que eleições, inclusive as legítimas – e não as de mentirinha, como as que ocorrem em Cuba, na Rússia ou na Venezuela – pressupõem a subserviência aos porventura eleitos.
Como bem notou Felipe Moura Brasil em participação com Duda Teixeira no podcast Inteligência Ltda, apresentado por Rogério Vilela, cabine de votação não é divã de terapeuta, e o voto é o menor e mais circunstancial dos atos da democracia.
Dividida pelos milhões de outros, a escolha de cada indivíduo é estatisticamente insignificante. O espírito democrático está fora e não dentro da urnas. O espírito democrático está mais vivo em quem critica, em vez de elogiar, seu próprio candidato.
Debater, cobrar, fiscalizar, discordar ou, quando preciso, se arrepender, são alguns dos verbos que dizem e valem muito mais na vida pública e cívica que aceitar, concordar, defender ou, quando preciso, votar. Porque a democracia permite que os piores cheguem ao topo é que precisamos que nem todos sejam piores.
O que os piores – eleitos e respectivos eleitores – têm em comum? De acordo com o economista e filósofo austríaco Friedrich von Hayek, prêmio Nobel em 1974 (certamente, o mais fecundo e original dos chamados economistas “austríacos”), os piores são muito parecidos entre si. Limitados, limitam-se mutuamente. Homogêneos, imitam-se às vezes sem perceber.
No ensaio “Por que os piores chegam ao poder?”, publicado no livro-manifesto O Caminho da Servidão, Hayek aponta que uniformidade de temperamento, inteligência e valores morais é a condição determinante da média de populações e populistas, que tendem a formar blocos coesos e imunes ao pensamento crítico e à, digamos, auditoria externa.
Quanto mais diferenciados o temperamento, a inteligência e os valores morais, menor é a propensão à adesão tribal, o apego desmedido pelo poder e a fidelidade quase conjugal ao candidato, e mais refinados os instrumentos cognitivos para separar joio de trigo, liberal de autocrata, conservador de reacionário.
Leia também: Breve história do bolsolavismo
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Comentários (1)
MARCOS
17.07.2025 20:03OS PIORES SÃO OS MAIS IDIOTAS, BURROS. SÃO MANIPULADOS POR SUA MENTE FRACA E IGNORANTE E FAZEM O L.