Bolsonarismo e lulismo em vertigem
Os dois polos da política brasileira apodrecem em praça pública, e se tornarão cada vez mais danosos ao Brasil
Jair Bolsonaro já foi preso duas vezes, antes mesmo do trânsito em julgado de sua condenação pela trama golpista. Mas isso não serve exatamente de consolo para Lula.
A primeira detenção preventiva, domiciliar, foi decretada após o ex-presidente se apresentar como negociador do tarifaço de Donald Trump e participar de manifestação remotamente, em agosto.
A segunda ocorreu no sábado, 22, diante do risco de fuga.
O contexto
Ao contrário do que dizem seus apoiadores, o risco de fuga não se configurou apenas pela tentativa de abrir a tornozeleira eletrônica.
A vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez as autoridades temerem por um tumulto que poderia favorecer uma fuga.
Além disso, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) admitiu que viajou para os Estados Unidos para escapar da Justiça brasileira.
Carla Zambelli também já tinha ido se refugir na Itália, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém seus desafios à Justiça brasileira direto dos Estados Unidos.
Foi nesse contexto que Bolsonaro foi parar em um quarto na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, como resultado do que a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) chamou de “estratégias ruins”.
E o Lula?
A queda em desgraça de Bolsonaro e de boa parte de seus aliados não permite a Lula e seus apoiadores celebrar a situação do petista, contudo.
O presidente acabou de levar mais uma bela rasteira na Câmara, onde seus aliados tiveram de votar contra o PL Antifacção, apresentado para salvar sua pele na pauta da segurança pública.
Lula está longe de provocar o medo de outras épocas e se apega a medidas eleitoreiras e irresponsáveis para manter seu governo vivo.
Não fosse pelo auxílio do Supremo Tribunal Federal (STF), aliás, a situação do petista, que optou por se cercar dos aliados mais fiéis, estaria ainda pior.
Para piorar, como destacou o cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé, a saída de Bolsonaro da arena pública tira aquele que parece ser o único trunfo de Lula: evitar um novo governo Bolsonaro.
Os dois polos da política brasileira apodrecem em praça pública, mas isso não quer dizer que eles vão sumir. A única certeza é que cheiram mal e se tornarão cada vez mais danosos ao país.
Leia mais: Um governo sem barricadas
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Comentários (1)
Rafael Tomasco
24.11.2025 14:18O Brasil é uma eterna cena de luta entre Freddy Krueger, Jason, Alien, Predador, Leatherface, Michael Myers e Ash Williams, onde só o que queremos é que todos se destruam