Trump, que ruge para o mundo, mia para Xi e Putin; Freud explica
Não à toa, Brasil, Ucrânia, México e outros estarem sendo punidos. O laranjão, que apanha dos fortes, bate nos fracos
O valentão de cristal alaranjado, Donald Trump, engoliu novamente suas bravatas messiânicas e viu o insano desejo de ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz ir por água abaixo, ou melhor, geleiras do Alaska abaixo. Aliás, só mesmo sua mente doentia e seus sabujos mudos são capazes de imaginar algo tão surreal assim.
O “mafioso” transnacional já pretendeu anexar o Canadá, invadir a Groenlândia e tomar à força o Canal do Panamá. Seu imperialismo “redneck” foi suficiente, porém, até o momento, apenas para obrigar a Google a rebatizar o Golfo do México, como Golfo da América, e sancionar, através da Lei Magnitsky, meia dúzia de pessoas ao redor do mundo.
Trump pode muito, mas, definitivamente, não pode tudo. Receber o Prêmio Nobel da Paz equivaleria ao Vaticano canonizar seu amigão sanguinário, Vladimir Putin – recebido por ele com tapete vermelho, abraços e sorrisos – ou, sei lá, a Lula ser realmente inocentado por um tribunal penal isento. Ou, quem sabe ainda, Bolsonaro ser considerado um democrata?
Choque de realidade
O bufão americano, em campanha, prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas. Recebeu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca e o humilhou de forma infame. Boicotou a OTAN e suspendeu o envio de armas para o país invadido até que recebesse pagamento (terras raras) em troca, tal qual um miliciano qualquer.
Anunciou triunfante, semana passada, que não aceitaria nada de Putin, no Alaska, senão a assinatura de um cessar-fogo. Puxou o saco do russo, teve o saco puxado em reciprocidade, mas ouviu um sonoro “het” (não, em russo). Mas, arrogante e alienado, como de costume, comemorou: “Fizemos um grande progresso hoje”.
Além de ser triturado por Putin, Trump levou na fuça um inequívoco recado da União Europeia: “Estamos prontos para manter a pressão sobre a Rússia. A Ucrânia pode contar com nossa solidariedade inabalável enquanto trabalhamos por uma paz que salvaguarde os interesses vitais de segurança da Ucrânia e da Europa.“
Freud explica
No campo da guerra comercial que resolveu travar com o planeta, sobretudo Índia e Brasil – por questões políticas e ideológicas pessoais, ainda que extremamente prejudiciais ao próprio país que deveria governar -, igualmente baixou a bola e desconsiderou uma série de tarifas que levariam seu mandato à breca. Mas, ainda assim, fala grosso.
Lado oposto, com a China de Xi Jinping, enfiou o rabicho entre as longas pernas outra vez e prorrogou por mais 90 dias as negociações comerciais. Assim como com Putin, Trump mia e ronrona suave com os chineses. Macheza mesmo, que é bom, só com países e governos econômica e militarmente frágeis, governados por “não tão doidos assim”.
Do alto de seus quase dois metros e sei lá quantos quilos – provavelmente mais que 100 -, Trump, com seus gestos e caretas de “cabra-macho”, parece respeitar bem o ditado popular brasuca: “Assombração sabe pra quem aparece”. Não à toa Brasil, Ucrânia, México e outros estarem sendo punidos. O laranjão, que apanha dos fortes, bate nos fracos. Nada mais freudiano que isso.