Swift pode ignorar Lei Magnitsky contra Moraes
O secretário executivo do Ministério da Fazenda dá a entender que o organismo não deverá ser influenciado pelas pressões do governo dos EUA
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se em Brasília, nesta quinta-feira (14), com Hayden Allan, Chefe Global de Assuntos Corporativos do Swift, sistema que integra mais de 11.500 instituições financeiras em mais de 200 países.
Depois do encontro, Durigan publicou na sua conta do Instagram uma declaração enaltecendo a autonomia do sistema financeiro global e a soberania do Brasil, em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sob a Lei Magnitsky.
Durigan relatou que Allan esclareceu que o Swift, sediada na Bélgica, opera exclusivamente sob a legislação europeia, sendo imune a sanções unilaterais de países específicos, como os EUA.
Ele destacou que o sistema processa transações em múltiplas moedas e tem ampliado a representatividade de nações emergentes em seu conselho de administração. “Hayden esclareceu que o Swift, sediado na Bélgica, segue o marco legal europeu e não está sujeito a sanções arbitrárias de países específicos. (…) Reafirmei que o Brasil é um país soberano, democrático e autônomo, que respeita outras nações, mas exige reciprocidade. Somos um dos maiores usuários do Swift globalmente, reforçando nossa integração ao sistema financeiro internacional”, escreveu Durigan.
As sanções contra Moraes, anunciadas em 30 de julho, congelaram quaisquer bens que ele tivesse em bancos americanos e proibiram transações com entidades dos EUA, sob acusações de censura e violações de direitos humanos.
A medida, associada ao governo Trump e vista como apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi encarada por muitos como uma tentativa de interferência política.
Moraes classificou as sanções como “covardes e traiçoeiras”, vinculando-as a esforços para influenciar e obstruir investigações contra aliados de Bolsonaro.
A reunião com o Swift ocorreu em um momento crítico, com os bancos brasileiros avaliando possíveis impactos nas suas operações internacionais devido às sanções a Moraes e pressões de Eduardo Bolsonaro junto ao governo americano no sentido de punir o ministro do STF.
O Swift não se pronunciou oficialmente sobre o encontro ou sobre Moraes, mas com a publicação, Durigan quer dar a entender que o organismo não deverá ser influenciado pelas pressões do governo dos EUA atráves de instrumentos como a Lei Magnitsky.
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Comentários (2)
Fabio B
16.08.2025 12:32Não acho difícil, pois sem juízo de valor quanto ao merecimento do Xandão ou da humilhação para o Brasil como um todo que isso representa, ainda assim é bem forçado aplicar esse tipo de sanção a ele. Tipo, ele não um ditador, não é um narcotraficante como o Maduro, ele é só um representante de um sistema todo errado, que nem envolve somente o STF.
Annie 40
16.08.2025 00:29Confia