Neonazista trans cumpre pena em prisão feminina na Alemanha
Justiça avalia se registro de gênero de extremista condenada por incitação ao ódio foi feito de forma fraudulenta
Uma figura conhecida do movimento de extrema-direita no leste da Alemanha, Marla-Svenja Liebich, foi enviada nesta quarta-feira, 15, a uma unidade prisional feminina na cidade de Chemnitz, após ser extraditada da República Tcheca, onde havia se refugiado para escapar de uma condenação por crimes de ódio. Antes, seu nome de registro era Sven Liebich.
A decisão reacende a discussão sobre possíveis brechas na legislação alemã que permite a autodeclaração de gênero sem exigência de laudos médicos. Liebich, de 55 anos, precisa cumprir um ano e meio de prisão por incitação ao ódio étnico e por difamação.
Segundo o Ministério Público local, colaborou após ser detida, e a administração penitenciária ainda decide se manterá a extremista na unidade de Chemnitz ou a transferirá para outro presídio.
A extremista havia sumido em agosto do ano anterior, quando deixou de comparecer a uma prisão feminina para dar início ao cumprimento da sentença.
Capturada em abril na República Tcheca, ela tentou barrar a extradição sob a alegação de que corria risco de vida caso fosse mantida em uma unidade masculina. No momento da prisão, no entanto, trajava roupas masculinas e estava com a cabeça raspada, segundo o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung.
Mudança de gênero sob suspeita
O registro de Liebich como mulher ocorreu no fim de 2024, período em que ela recorria de sua condenação em primeira instância, logo depois de uma reforma legal que simplificou a alteração de sexo e nome em cartório.
Antes disso, sob o nome Sven, ela se posicionava publicamente contra o que classificava como “ideologia de gênero” e chegou a comercializar produtos com discurso contrário a pessoas trans.
Após a mudança de registro civil, Liebich passou a acionar judicialmente veículos de imprensa que a identificavam como homem. Perdeu um desses processos para o jornalista Julian Reichelt, que teve reconhecido no X seu direito de declarar que ela “não é mulher”. Ele afirmou ainda: “Sven Liebich não é uma mulher”.
Um segundo processo, movido contra a revista Der Spiegel, foi arquivado pelo Conselho de Imprensa alemão, que concluiu ser provável que a alteração dos documentos tivesse o objetivo de “provocar e ridicularizar o Estado”.
Atualmente, a Justiça da cidade de Halle analisa uma ação que pode anular a autodeclaração de gênero de Liebich. Paralelamente, o governo do chanceler Friedrich Merz já sinalizou a intenção de revisar a Lei de Autodeterminação de Gênero, em vigor desde novembro de 2024.
Leia também: Tribunal tcheco autoriza extradição de “neonazista trans”
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
16.07.2026 06:36CarO Antagonista, o criminoso vai para prisão masculina. "Gefängnisleitung hat entschieden: Neonazi Marla Svenja Liebich muss in Männerknast". A direção da prisão de Chemnitz decidiu, horas depois da prisão, que o neonazi Marla Svenja Liebich tem que ir para prisão masculina. Corrijam sua notícia, por favor.