Justiça da Itália revogou medidas cautelares contra Tagliaferro, diz advogado
Ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes está livre para circular pela Itália, mas não pode deixar o país sem autorização
O advogado do ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro, Eduardo Kuntz, disse nesta sexta-feira, 10, que a Justiça italiana revogou medidas cautelares que haviam sido impostas a Tagliaferro no âmbito do processo de extradição. Com a decisão, ele está livre para circular pelo território italiano, mas ainda não pode deixar a Itália sem autorização judicial.
“A defesa constituída aqui no Brasil do senhor Eduardo Tagliaferro tem a alegria de comunicar que as cautelares na Itália foram revogadas, estando ele livre para circular por toda a Itália. Esse é o primeiro passo para demonstrar que o processo de extradição é completamente viciado, desnecessário e visa única e exclusivamente a perseguição do senhor Eduardo Tagliaferro. Vamos para os próximos passos”, afirmou Kuntz, em vídeo publicado no Instagram.
No último dia 1º de outubro, Tagliaferro foi levado pela polícia italiana para uma delegacia, para ser informado do processo de extradição e da imposição das medidas cautelares.
Denunciado pela PGR
Em 22 de agosto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Tagliaferro ao STF pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ex-assessor é investigado pelo vazamento de mensagens trocadas entre servidores do gabinete de Moraes no STF e no TSE. Segundo a denúncia, entre maio e agosto do ano passado, Tagliaferro “violou sigilo funcional e embaraçou as investigações ao revelar à imprensa e tornar públicos diálogos sobre assuntos sigilosos que manteve com servidores do STF e do TSE na condição de assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação”.
O procurador-geral também aponta que Tagliaferro cometeu coação no curso do processo ao ameaçar, em julho deste ano, após deixar o Brasil, revelar no exterior novas informações funcionais sigilosas obtidas no exercício de seu cargo.
Para a PGR, o ex-assessor de Moraes aderiu às condutas da organização criminosa investigada nos inquéritos da suposta trama golpista, das fake news e das milícias digitais, e selecionou diálogos para tentar interferir na credibilidade das investigações.
Após a denúncia, Moraes determinou que o Ministério da Justiça protocolasse pedido de extradição de Tagliaferro. O Ministério da Justiça enviou o pedido ao Itamaraty, que o formalizou junto ao governo da Itália.
Recorrentemente, o ex-assessor faz críticas e acusações contra Moraes. No final de setembro, participando por videochamada de audiência na Câmara dos Deputados, acusou o magistrado de ter feito uma “perseguição“ à direita para que as eleições de 2022 ficassem conforme o ideal dele.
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