Tagliaferro deixa delegacia na Itália e reclama de Moraes: “Criminoso”
Ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que não foi preso e está em casa "de boa"
O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro deixou a delegacia na Itália para onde havia sido levado pela polícia, nesta quarta-feira, 1º, e retornou para sua casa no país europeu. A informação foi confirmada por ele em vídeo publicado no Instagram, em que ainda critica Moraes, chamando o magistrado de “criminoso“.
“Agradeço a todos pela preocupação. Recebi diversos telefonemas. Minha esposa também. Foi só um procedimento de informação. Não fui preso, estou em casa, de boa. E vamos continuar lutando. Lutando contra esse criminoso chamado Alexandre de Moraes“, fala Tagliaferro na gravação.
Segundo o advogado do ex-assessor, Eduardo Kuntz, a polícia italiana procurou Tagliaferro para informá-lo da existência de um processo de extradição contra ele.
“Ao que parece, trata-se de expediente cautelar criado em 31.07 deste ano, conjuntamente com a ordem de bloqueio de suas contas bancárias e um suposto pedido de prisão, em razão dos vazamentos de graves conteúdos sobre o gabinete do ministro Alexandre de Moraes (TSE/STF) divulgados em matérias jornalísticas pelo jornal Folha de São Paulo”, pontua o advogado, em nota.
“O senhor Tagliaferro, voluntariamente, entregou todos os seus documentos, comprometeu-se a não sair da cidade em que está residindo e agora está seguro em, no momento processual
oportuno, demonstrar que estes expedientes são arbitrários, impertinentes e, por consequência,
absolutamente ilegais”.
Kuntz afirma ainda que adotará as “medidas jurídicas cabíveis, no Brasil e na Itália, para esclarecer os fatos com total respeito pelas Cortes e confiança na Justiça”.
Recorrentemente, Tagliaferro faz críticas e acusações contra o ministro Alexandre de Moraes. Na semana passada, participando por videochamada de audiência na Câmara dos Deputados, acusou o magistrado de ter feito uma “perseguição“ à direita para que as eleições de 2022 ficassem conforme o ideal dele.
Denunciado pela PGR
Em 22 de agosto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Tagliaferro ao STF pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ex-assessor é investigado pelo vazamento de mensagens trocadas entre servidores do gabinete de Moraes no STF e no TSE. Segundo a denúncia, entre maio e agosto do ano passado, Tagliaferro “violou sigilo funcional e embaraçou as investigações ao revelar à imprensa e tornar públicos diálogos sobre assuntos sigilosos que manteve com servidores do STF e do TSE na condição de assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação”.
O procurador-geral também aponta que Tagliaferro cometeu coação no curso do processo ao ameaçar, em julho deste ano, após deixar o Brasil, revelar no exterior novas informações funcionais sigilosas obtidas no exercício de seu cargo.
Para a PGR, o ex-assessor de Moraes aderiu às condutas da organização criminosa investigada nos inquéritos da suposta trama golpista, das fake news e das milícias digitais, e selecionou diálogos para tentar interferir na credibilidade das investigações.
Após a denúncia, Moraes determinou que o Ministério da Justiça protocolasse pedido de extradição de Tagliaferro. O Ministério da Justiça enviou o pedido ao Itamaraty, que o formalizou junto ao governo da Itália.
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Comentários (1)
MARCOS
01.10.2025 20:28O DISCO NÃO MUDA??? SEMPRE TENTATIVA DE ABOLIÇÃO DE ESTADO....PRÁ TUDO TEM A TENTATIVA....