Coelho desaparecido da ciência por mais de 120 anos volta a ser encontrado nas montanhas e surpreende pesquisadores
Após cinco anos de buscas, o pequeno coelho de cauda preta foi localizado em sete das dez áreas investigadas no estado de Guerrero.
🐇 Onde o pequeno coelho de cauda preta estava escondido?
Após mais de 120 anos sem um registro científico confirmado, o coelho-de-Omiltemi foi localizado novamente na Sierra Madre del Sur. Cinco anos de buscas revelaram a espécie em sete das dez áreas investigadas no estado mexicano de Guerrero. ⬇️
O coelho-de-Omiltemi voltou aos registros científicos após mais de 120 anos, depois de uma busca iniciada em 2019 nas montanhas do sul do México. A equipe liderada por José Alberto Almazán-Catalán encontrou Sylvilagus insonus em sete das dez áreas visitadas durante cinco anos.
Como o coelho-de-Omiltemi voltou a ser encontrado?
A equipe do Instituto para el Manejo y Conservación de la Biodiversidad procurou a espécie em dez áreas do estado de Guerrero. O trabalho combinou visitas de campo, entrevistas com moradores, fotografias e outras estratégias de busca.
As primeiras tentativas se concentraram perto de Chilpancingo, onde o animal havia sido registrado em 1904. Sem sinais ali, os pesquisadores deslocaram os levantamentos entre 2020 e 2022 para florestas de coníferas em áreas elevadas da região.
Por que o coelho ficou mais de 120 anos perdido para a ciência?
A espécie não era considerada comprovadamente extinta, mas estava “perdida para a ciência”: não havia avistamentos científicos documentados por mais de um século. Comunidades das montanhas, porém, continuavam conhecendo o animal e indicando locais onde ele ocorria.
Caçadores locais chegaram a doar uma pele aos cientistas em 1998. Ainda assim, os poucos exemplares disponíveis e a ausência de observações sistemáticas mantiveram grandes lacunas sobre distribuição, comportamento e tamanho da população.

Quais evidências confirmaram a presença da espécie nas montanhas?
A confirmação veio de uma investigação prolongada, não de um encontro isolado. Moradores ajudaram a direcionar a equipe, e animais fornecidos por caçadores locais complementaram fotografias e observações realizadas durante as expedições.
O resultado foi expressivo: o coelho apareceu em sete das dez áreas examinadas. A Re:wild anunciou a redescoberta em 23 de janeiro de 2025.
Os principais marcos mostram como a busca avançou:
Como o coelho-de-Omiltemi se diferencia de outros coelhos?
O animal é menor que outros coelhos encontrados na região e também possui orelhas menores. A característica mais evidente está na cauda: curta e preta, sem a aparência branca e arredondada normalmente associada ao termo inglês “cottontail”.
Os exemplares coletados em 1904 também não apresentavam manchas brancas na cauda ou na pelagem. Essa combinação de tamanho, orelhas e coloração auxilia pesquisadores a separar a espécie de outros coelhos que vivem nas mesmas montanhas.
Três traços ajudam a organizar essa identificação:
Quais desafios permanecem depois da redescoberta?
Encontrar o coelho não resolve as dúvidas sobre sua conservação. A espécie tem distribuição restrita às florestas de coníferas da Sierra Madre del Sur, e os pesquisadores ainda precisam estimar população, ecologia e comportamento reprodutivo.
A nova Reserva da Biosfera Sierra Tecuani abrange a distribuição atualmente conhecida, mas a Re:wild informa que ainda não existem medidas especiais de conservação dirigidas especificamente ao coelho-de-Omiltemi.
As próximas etapas dependem de pesquisa e participação local:
- Estimar o tamanho e a distribuição das populações.
- Investigar o período reprodutivo entre janeiro e junho.
- Avaliar efeitos da caça de subsistência e de outras pressões.
- Desenvolver propostas de conservação com comunidades e autoridades.
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Por que a redescoberta surpreendeu os pesquisadores?
O encontro preenche uma lacuna científica superior a um século e transforma uma espécie praticamente conhecida por poucos exemplares em alvo de novos estudos de campo. Para Almazán-Catalán, observar um indivíduo vivo foi uma experiência inédita.
O coelho tornou-se a 13ª espécie redescoberta pela iniciativa Search for Lost Species. A ficha oficial da Re:wild o classifica como “Data Deficient”, reforçando quanto ainda falta conhecer sobre sua situação.
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