CNE adia “eleições” na Venezuela para parlamentares e governadores
Lideranças como Maria Corina Machado manifestam resistência significativa à participação nessas próximas eleições, dada à grotesca fraude das eleições presidenciais
A diretoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, sob controle chavista, anunciou nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, o adiamento das eleições parlamentares, para governadores e conselhos legislativos regionais, que estavam marcadas para o dia 27 de abril.
A nova data estabelecida é o domingo, 25 de maio. Elvis Amoroso, presidente do CNE, justificou a decisão como uma resposta às solicitações de diversos atores políticos e ressaltou a intenção de estimular a participação de diferentes segmentos da sociedade.
Esta declaração marca uma das raras aparições públicas de Amoroso desde que ele declarou, de modo fraudulento, Nicolás Maduro como vencedor nas eleições presidenciais de 28 de julho, quando, na verdade, Edmundo González Urrutia, candidato da oposição, foi o verdadeiro presidente eleito.
Medo e inibição
A convocação para essas novas eleições surge em um clima político tenso e desinteressado nas ruas. Após intensos protestos contra Maduro que culminaram na derrubada de nove estátuas de Hugo Chávez em território venezuelano, a repressão que se seguiu instaurou um clima de medo e inibição na população. O debate político parece ter desaparecido das conversas cotidianas.
No dia 10 de janeiro, Maduro assumiu novamente a presidência da República em uma cerimônia marcada por um forte esquema de segurança militar e policial.
Durante esse evento, recebeu manifestações públicas de lealdade dos quartéis, que emitiram diversas ameaças
A oposição
Lideranças como Maria Corina Machado manifestam resistência significativa à participação nessas próximas eleições, dada a aberta fraude consagrada nas últimas eleições presidenciais.
No entanto, figuras políticas como Henrique Capriles Radonski e Manuel Rosales têm defendido a concorrência eleitoral como uma alternativa.
Com a mudança na data das eleições, o governo ajusta suas estratégias enquanto mantém o controle sobre os prazos e a organização do pleito.
As últimas eleições legislativas realizadas em 2020 também resultaram em uma alta taxa de abstenção que girou em torno de 70% do eleitorado registrado, com o partido oficialista PSUV saindo vitorioso e praticamente excluindo as principais organizações da oposição venezuelana.
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