A cidade mais alemã do Brasil figura entre os 10 destinos mais acolhedores do país e ainda guarda a língua dos imigrantes
A influência alemã aparece na arquitetura, nas festas e nos costumes locais
Em 1863, famílias vindas da Pomerânia subiram o vale do Rio do Testo abrindo caminho na mata em busca de terra própria. Mais de 160 anos depois, a antiga colônia virou Pomerode, cidade onde o idioma, as receitas e as casas dos antepassados seguem na rotina, e onde os hóspedes avaliam tão bem a recepção que o lugar entrou numa lista nacional de hospitalidade.
Por que Pomerode entrou na lista dos destinos mais acolhedores?
Segundo a Booking.com, a cidade aparece entre os dez destinos mais acolhedores do Brasil em 2025, seleção do Traveller Review Awards, premiação construída com mais de 360 milhões de avaliações verificadas de viajantes.
A lista não ordena os destinos do primeiro ao décimo. O critério é a proporção de hospedagens premiadas em cada lugar, e cada uma precisou alcançar nota média igual ou superior a 8, numa escala até 10, dada por hóspedes reais. Em Santa Catarina, só Urubici e Praia Grande dividiram a seleção com a cidade do Vale do Itajaí.

Da chegada dos primeiros colonos aos recordes da Páscoa, alguns números ajudam a entender a fama da cidade:
Leia também: A cidade mais alemã do Brasil fala três idiomas e tem dois recordes mundiais reconhecidos pelo Guinness Book
Como os imigrantes da Pomerânia ocuparam o vale do Rio do Testo?
Os primeiros colonizadores chegaram em 1863, liderados por Ferdinand Hackradt, e abriram trilhas pela mata ao longo do rio, conforme o histórico da Prefeitura de Pomerode. Vinham em grande parte da Pomerânia, região às margens do Mar Báltico hoje dividida entre Alemanha e Polônia, e queriam terra própria para plantar. O povoado nasceu ligado à colônia de Blumenau e só virou município em 1959.
O que os colonos trouxeram de mais duradouro talvez tenha sido a fala. O pomerano não é o mesmo que o alemão padrão: é uma variedade do baixo-alemão oriental que perdeu espaço na Europa depois da Segunda Guerra Mundial, quando a maior parte da Pomerânia passou para o território polonês. No vale catarinense, a língua atravessou gerações dentro das famílias e hoje convive com o alemão e o português.

O que fazer em Pomerode além de admirar as casas enxaimel?
O passeio mais procurado fica no bairro rural de Testo Alto, onde a Rota do Enxaimel reúne 52 casas tradicionais, segundo o portal Visite Pomerode. Em 2021, a rota recebeu o selo Best Tourism Villages, da ONU Turismo, reconhecimento que pertence a esse trecho rural, e não à cidade inteira.
O enxaimel é a técnica em que vigas de madeira encaixadas formam a estrutura da casa e os vãos recebem tijolos, o que dá às fachadas o desenho quadriculado que virou cartão-postal. Na mesma região, a Rota do Imigrante conserva manifestações do pomerano e do alemão.
Passeios para montar o roteiro
Entre casas de colonos, fábricas abertas a visitantes e programas para crianças, alguns endereços concentram o melhor da viagem:
- Casa Siewert: construída em 1913, é mantida por uma família que recebe visitantes para contar como viviam os imigrantes, de acordo com o guia da Rota do Enxaimel.
- Pórtico do Imigrante Wolfgang Weege: portal na entrada da rota que faz referência à antiga Stettin, cidade europeia que hoje se chama Szczecin e fica na Polônia.
- Nugali Chocolates: tour com estufa de cacau, etapas da produção e degustação no final, mediante agendamento, como mostra a página de visitas às fábricas.
- Fábricas de cristal e de velas: também recebem visitantes e mostram de perto a produção feita na cidade.
- Zoo Pomerode: caminhada entre recintos e experiências educativas, com ingresso e regras de acesso definidos pelo parque.
- Vila Encantada: dinossauros, oficinas e brinquedos para crianças, entre os passeios em família da cidade.
Para ver as ruas, as casas e os passeios que ajudam a explicar o jeito de Pomerode, acompanhe este vídeo do canal Num Pulo:
Como se preparar para visitar Pomerode
A data que mais transforma a cidade é a Páscoa, quando a Osterfest celebra a tradição herdada dos imigrantes. Foi nessa festa que a Associação Visite Pomerode pendurou numa nogueira-pecã, em 2017, uma árvore com 82.404 cascas de ovos pintadas, segundo o Guinness World Records. Em 2023, veio o ovo decorado de 16,72 metros de altura, pintado no estilo da arte popular cassubiana, também registrado pelo livro dos recordes.
Fora da festa, o planejamento passa pelo campo. A Rota do Enxaimel se estende por cerca de 16 km em área rural e muitas casas são residências particulares, abertas só com autorização, enquanto a Casa Siewert e o tour da Nugali pedem confirmação antes da visita. Na mesa, vale guardar tempo para marreco, joelho de porco, cuca e strudel da culinária típica, que pesam mais no prato conforme o tempo esfria.

Qual é a melhor época para visitar Pomerode?
Pomerode tem clima úmido o ano inteiro: nenhum mês recebe, em média, menos de 110 mm de chuva, e janeiro, com 288 mm, é o mais chuvoso. O inverno concentra os menores volumes e as manhãs mais frias, com mínimas de 11°C em julho, enquanto o verão junta calor e chuva frequente no vale.
Pomerode em cada estação
Cada período do ano muda a temperatura no vale e o tipo de passeio que rende mais:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Pomerode.
Uma pequena Alemanha que sabe receber
Nas casas de madeira encaixada, nas receitas de família e no sotaque pomerano, a cidade guarda a vontade de ficar que trouxe os colonos ao vale. Quem chega hoje sente essa herança no jeito de receber.
Você precisa subir o vale do Rio do Testo e conhecer Pomerode, a cidade onde a Alemanha dos imigrantes ainda abre a porta para quem vem de fora.
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