Uma soja editada por CRISPR passou de cerca de 20% para mais de 90% de ácido oleico no óleo das sementes
As gorduras saturadas caíram mais de 40% em comparação com a soja não editada geneticamente

O que você vai ver
- Quais genes os pesquisadores editaram na soja.
- De quanto para quanto subiu a concentração de ácido oleico.
- O que aconteceu com os outros ácidos graxos do óleo.
- Por que mais ácido oleico significa um óleo mais estável.
- O que ainda falta avaliar antes dessa soja chegar ao mercado.
Pesquisadores sul-coreanos usaram edição genética CRISPR para elevar a concentração de ácido oleico no óleo de sementes de soja de cerca de 20%, nível comum em variedades convencionais, para mais de 90%, resultado que pode tornar esse óleo vegetal mais estável e durável.
Quais genes foram editados?
A equipe da Universidade Sejong, na Coreia do Sul, liderada pelo professor Hyun Uk Kim, usou a ferramenta CRISPR/Cas9 para editar quatro genes da família GmFAD2, responsáveis por converter ácido oleico em ácido linoleico dentro da semente, além do gene GmFATB1a, ligado à produção de gorduras saturadas, combinação de edições que redirecionou a composição final do óleo armazenado nas sementes de soja.

De quanto para quanto subiu o ácido oleico?
Removendo apenas dois dos genes da família FAD2, a concentração de ácido oleico já saltou de cerca de 20%, valor típico do óleo de soja convencional, para aproximadamente 83%, e com as edições adicionais nos demais genes da mesma família e no gene FATB1a, a concentração chegou a até 90,2% em algumas linhagens, nível de pureza raramente alcançado em variedades de soja não editadas geneticamente.
O que aconteceu com os outros ácidos graxos?
Com o aumento do ácido oleico, os ácidos linoleico e linolênico ficaram abaixo de 1% cada no óleo das linhagens editadas, enquanto as gorduras saturadas caíram mais de 40% em comparação com a soja não editada, mudança de composição que, segundo análise de mais de 800 sementes testadas, ainda veio acompanhada de um aumento de 7% a 24% no conteúdo total de ácidos graxos em algumas das linhagens de alto teor oleico.
Por que mais ácido oleico significa óleo mais estável?
O ácido oleico é uma gordura monoinsaturada mais resistente à oxidação do que as gorduras poli-insaturadas, como o ácido linoleico, característica que se traduz em maior estabilidade oxidativa, vida útil mais longa em processos de fritura e menor necessidade de troca frequente do óleo usado, além de potenciais benefícios nutricionais, já que gorduras monoinsaturadas podem substituir gorduras saturadas na dieta e ajudar a reduzir o colesterol LDL.

O que ainda falta avaliar?
Os próprios pesquisadores reconhecem que ainda é necessário avaliar o rendimento agrícola e a estabilidade dessas linhagens editadas em condições reais de cultivo, além de passar pela revisão regulatória exigida na Coreia do Sul antes de qualquer possível chegada ao mercado, processo que, apesar de a edição genética não deixar DNA estrangeiro no produto final, ainda segue sendo avaliado caso a caso pelas autoridades agrícolas do país.
Edições genéticas de precisão que reconfiguram completamente a composição de um alimento também aparecem no relato sobre as cavidades que crescem silenciosamente sob o pavimento antes de qualquer sinal visível na superfície.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)