O túnel de 20 km atravessa os Andes para levar água a terras áridas do Peru, onde mais de 25 mil hectares já viraram lavouras
Sistema de Olmos transpõe água da vertente amazônica para a costa seca e combina túnel, canais e irrigação agrícola.
Na costa seca do Peru, a água atravessa os Andes por um túnel de 20 quilômetros antes de seguir até os campos agrícolas de Lambayeque. O caminho aberto pelo projeto Olmos se completa com uma rede de irrigação nas fazendas, em uma região onde mais de 25 mil hectares já estavam desenvolvidos até 2022.
Como o túnel faz a água cruzar os Andes?
O percurso começa no rio Huancabamba, na vertente amazônica, de onde a barragem Limón capta a água para a travessia sob os Andes. Depois de aproximadamente 20 quilômetros, ela chega à bacia do Pacífico, onde o clima seco limita a agricultura e torna o abastecimento regular essencial para as lavouras.
Depois de vencer as montanhas, a água segue por redes de canais, tomadas e estruturas de controle até alcançar as propriedades, completando um percurso que liga a captação na cordilheira à distribuição agrícola no litoral.

O abastecimento mudou o uso das terras em Lambayeque
Com água disponível de forma contínua, áreas de pouca chuva passaram a receber cultivos que dependem de irrigação. Dentro das propriedades, equipamentos de aplicação localizada ajudam a organizar o fornecimento, ajustando a quantidade entregue às necessidades de cada cultura e ao manejo adotado pelo produtor.
Quatro partes trabalham em sequência:
- Barragem: retém a água utilizada no sistema.
- Túnel: transporta água através da cordilheira.
- Canais: levam a vazão até os setores de produção.
- Irrigadores: aplicam a água dentro de cada propriedade.
A busca por abastecimento em regiões secas também levou à construção de túneis de transporte de água e de sistemas antigos de canais subterrâneos, capazes de conduzir o recurso por longas distâncias. Em Olmos, esse caminho atravessa uma vertente continental e continua nas fazendas, onde a água passa a sustentar a produção.
Por que a capacidade do projeto supera a área cultivada?
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico distingue o vale tradicional das terras destinadas à expansão agroindustrial de Olmos, cuja capacidade de atendimento supera a área desenvolvida em cada etapa. Parte dos terrenos pode receber a infraestrutura de irrigação antes que o plantio seja implantado pelos produtores.
Os números descrevem etapas e áreas diferentes:
| Indicador | Dimensão |
|---|---|
| Área desenvolvida até 2022 | Mais de 25 mil hectares |
| Terras novas previstas | 38 mil hectares |
| Vale Velho previsto | Até 5.500 hectares |
| Atendimento projetado | Até 43.500 hectares |
Cana-de-açúcar, mirtilo, abacate e aspargo estão entre os cultivos associados ao projeto, distribuídos por propriedades que organizam a produção conforme a disponibilidade de água. A chegada da infraestrutura permite preparar novas áreas, enquanto a ocupação agrícola avança no ritmo de cada empreendimento.
A longa trajetória de uma obra iniciada no século passado
A proposta do engenheiro Charles Sutton, apresentada em 1924, atravessou décadas de tentativas, incluindo obras nos anos 1970, até que novos contratos permitiram retomar a construção. A transposição entrou em operação em 2012, abrindo caminho para a etapa de distribuição agrícola.
Em novembro de 2014, as estruturas de irrigação começaram a funcionar, atendendo tanto à expansão da agroexportação quanto ao Vale Velho, ocupado por agricultores tradicionais. O acesso à água, os custos e a forma de distribuição continuam influenciando a produção e as condições de trabalho desses grupos.

O que mantém o sistema de irrigação funcionando?
O acúmulo de sedimentos no reservatório da barragem Limón exige manutenção e dragagem, previstas nos planos detalhados pela agência peruana ProInversión. Esses serviços preservam a capacidade de conduzir água e ajudam a manter o fornecimento regular de que as lavouras precisam.
A expansão futura inclui uma proposta de elevar a barragem dos atuais cerca de 43 metros para aproximadamente 85 metros, enquanto as estruturas existentes continuam exigindo conservação. A ampliação planejada se soma, assim, à rotina de manutenção da infraestrutura que já está em funcionamento.
O resultado depende de muito mais do que abrir o túnel
Nas parcelas verdes de Lambayeque, a transformação da paisagem acompanha o caminho da água distribuída com controle, que sai da cordilheira, percorre os canais e chega aos equipamentos de irrigação. É nas propriedades que a travessia dos Andes se converte em condições para cultivar um território naturalmente árido.
Manter essa produção exige cuidar do percurso inteiro, da captação à lavoura, com distribuição eficiente e conservação das obras ao longo do tempo. Para os produtores, a continuidade do abastecimento é o que permite planejar o plantio e sustentar os cultivos comerciais em terras antes secas.
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