Emprego esfria nos EUA
Dados do emprego nos EUA frustram previsões, alteram expectativas para o Fed e provocam movimentos nas bolsas, dólar e mercado brasileiro
A economia dos Estados Unidos criou 57 mil vagas de emprego em junho, segundo o relatório de emprego do Departamento do Trabalho dos EUA, menos da metade das 114 mil esperadas pelo mercado.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, formando um quadro contraditório que reforçou as dúvidas sobre o ritmo da atividade econômica americana e sobre os próximos passos do Federal Reserve.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho.
O resultado mostra que o mercado de trabalho continua perdendo força após meses de desaceleração.
Além da criação de empregos abaixo das projeções, investidores passaram a avaliar que a economia pode estar caminhando para um crescimento mais lento, embora a queda da taxa de desemprego indique que o enfraquecimento ainda não é suficiente para caracterizar uma deterioração mais profunda.
Os mercados reagiram ao relatório com mudanças nas expectativas para os juros. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram, refletindo o aumento das apostas de que o banco central dos Estados Unidos poderá ter mais espaço para reduzir os juros nos próximos meses.
O dólar perdeu força diante de outras moedas, enquanto o ouro avançou com a busca por ativos considerados mais seguros. Em Wall Street, os índices oscilaram durante a manhã, alternando altas e baixas conforme investidores tentavam equilibrar o efeito positivo de juros potencialmente menores com o receio de uma economia menos dinâmica.
No Brasil, a divulgação também influenciou os negócios. A perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos favoreceu ativos de mercados emergentes, contribuindo para um desempenho positivo do Ibovespa e reduzindo parte da pressão sobre o câmbio.
Empresas mais dependentes do cenário externo e setores sensíveis aos juros estiveram entre os destaques do pregão.
Esse relatório de emprego do Departamento do Trabalho dos EUA não altera sozinho o rumo da política monetária americana, mas aumenta o peso dos próximos indicadores de inflação e atividade.
O Fed continua afirmando que suas decisões dependerão dos dados, e o relatório de junho reforça justamente esse cenário de incerteza. A economia americana ainda cria empregos, porém em ritmo menor, enquanto os investidores tentam identificar se essa desaceleração será suficiente para justificar o início de um ciclo de cortes de juros ainda neste ano.
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