Viktor Frankl, psiquiatra que mostrou que sentido sustenta homens em situações extremas: “Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como”
O nome de Viktor Frankl aparece com frequência quando se fala em sofrimento, resiliência e busca de sentido
O nome de Viktor Frankl aparece com frequência quando se fala em sofrimento, resiliência e busca de sentido. Psiquiatra austríaco e sobrevivente de campos de concentração nazistas, ele defendia que o sentido da vida sustenta o ser humano mesmo em situações extremas.
A frase atribuída a ele, “Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como”, sintetiza essa visão centrada no propósito.
Quem foi Viktor Frankl e por que sua obra é relevante
Viktor Frankl nasceu em Viena, em 1905, formou-se em medicina e se especializou em psiquiatria e neurologia. Antes da guerra, já estudava depressão e suicídio, buscando entender por que alguns desistem da vida enquanto outros encontram forças para seguir.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi deportado para campos de concentração, onde perdeu a esposa e os pais. Nessas condições extremas, observou como a presença ou ausência de um sentido influenciava diretamente a forma de enfrentar o sofrimento.
“What is to give light must endure burning.”
— Philosophy Quotes (@philosophors) December 30, 2023
— Viktor Frankl pic.twitter.com/DMVKvN5IUT
O que é logoterapia e como ela se relaciona com o sentido da vida
Após a guerra, Frankl retornou a Viena, retomou a prática clínica e sistematizou suas observações nos campos. Desenvolveu então a logoterapia, abordagem que coloca o sentido da vida como eixo central do tratamento psicológico.
Em vez de focar apenas em sintomas, a logoterapia estimula o paciente a descobrir razões pessoais para viver e a reconhecer sua liberdade interior. Diferencia-se de outras escolas por deslocar o foco do prazer ou poder para o propósito existencial.

Como a frase Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como se aplica na prática
A frase atribuída a Frankl resume a ideia de que um “porquê” forte ajuda a suportar situações adversas. Esse sentido pode estar em uma pessoa querida, um projeto, uma crença espiritual ou um valor ético que se deseja honrar.
Na logoterapia, o terapeuta amplia o horizonte do paciente, convidando-o a olhar além da dor imediata. Entre as principais vias de construção de sentido, destacam-se:
Atividade criativa: o que a pessoa faz, cria ou oferece ao mundo.
Experiência vivida: relações, afetos, contato com arte ou natureza.
Postura diante do sofrimento: atitude adotada quando não é possível mudar a situação.
De que forma o sentido de vida ajuda em situações limite
Frankl observou que, nos campos, quem perdia o vínculo com o futuro sucumbia mais rápido à apatia e ao desespero. Já quem mantinha um objetivo, por modesto que fosse, mostrava maior resistência física e emocional.
Essa lógica vale para doenças graves, lutos ou crises econômicas. Estudos recentes indicam que perceber propósito de vida se associa a menor risco de depressão e ideação suicida, ajudando a preservar esperança e perspectiva de futuro.
Como aplicar o conceito de porquê no cotidiano
O pensamento de Frankl inspira movimentos práticos, sem propor fórmulas mágicas. A ideia central é aproximar valores, escolhas e atitudes diárias, de modo que a vida pareça coerente e significativa.
Algumas direções incluem refletir sobre valores pessoais, revisar metas à luz desses valores, cuidar de relações significativas, ressignificar sofrimentos inevitáveis e manter um horizonte de futuro, mesmo que em pequenos passos diários.
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