Como o Coaf escapou de Moro
O ministro da Justiça perdeu, mas vendeu caro a derrota.
Em edição anterior, O Comentarista mostrou como parte do Congresso armara uma operação para enfraquecer Sergio Moro. O plano consistia em usar a reforma administrativa para devolver o Coaf à pasta econômica, hoje aos cuidados Paulo Guedes.
Ontem, a MP 870 foi finalmente votada. Não sem antes enfrentar uma obstrução liderara por Arthur Lira, do PP, contra um pedido de votação nominal.
– A grande derrotada
Na ponta do lápis, a grande derrotada foi mesmo a oposição. Pois queria que a Medida Provisória nem sequer fosse votada. Mas os esforços foram em vão.
No que tentou recriar o Ministério da Cultura, o plenário rejeitou a ideia. Tentou o mesmo com o Ministério do Trabalho, e mais uma vez foi desautorizada.
O jogo era mesmo jogado pelo centro. Com o árbitro da partida explicitando que via no Coaf uma questão menor.
O Coaf não vai fazer o Brasil crescer. Temos 20% da população cozinhando com lenha e carvão, é se preocupando com essas pessoas que vamos fazer o Brasil crescer. Rodrigo Maia– O governo abre o placar O primeiro gol foi do governo, com a reforma aprovada em votação simbólica. O risco de a MP caducar e complicar as finanças da gestão Bolsonaro estava afastado. Rodrigo Maia aproveitou para agradecer a colaboração da oposição.
Agradeço aos partidos de oposição que estão votando sim nesta matéria. É um gesto de respeito ao resultado das eleições do ano passado. Rodrigo MaiaSomando-se às notícias positivas, o plenário também impediu a recriação dos ministérios da Integração e Cidades. – Ao ponto Só então a permanência do Coaf com Moro passou a ser apreciada. Atendendo a pedidos, Maia determinou que votação seria nominal. Ricardo Barros, ex-ministro de Michel Temer, defendeu que o Coaf migrasse aos cuidados do Ministério da Economia.
O Coaf mostrou sua eficiência no Ministério da Economia. Não é polícia. Ricardo BarrosAo fim, o acordo estava bem costurado. Por 228 votos a 210, o Coaf deixou de integrar o Ministério da Justiça. O Antagonista publicou a lista com o voto de cada deputado. – Derrota ou vitória? Com exclusividade para Claudio Dantas, e em primeira mão para os assinantes de O Antagonista+, Moro lamentou o ocorrido, reconheceu que fazia parte do jogo democrático, e agradeceu a votação.
Sobre a decisão da maioria da Câmara de retirar o Coaf do Ministério da Justiça, lamento o ocorrido. Faz parte do debate democrático. Agradeço aos 210 deputados que apoiaram o MJSP e o plano de fortalecimento do Coaf. Sergio MoroOs comentaristas, claro, se solidarizaram com o ministro.
Cada derrota de Moro é uma derrota de todos nós. Ele tem a confiança e o profundo respeito dos brasileiros. Perde algumas batalhas para ganhar a guerra. Carmen Santerini
Moro terá que se acostumar com derrotas, será perseguido por seu excelente desempenho. Se Guedes mantiver a equipe, será uma vitória. Teresa Cristina Pereira
Dr. Moro, continuamos com o senhor na luta contra o crime! Janio KallasEm podcast também exclusivo para os assinantes de O Antagonista+, Dantas comentou que a derrota de Moro veio com ares de vitória. A diferença de 18 votos foi de fato pequena. Se o ministro da Justiça conseguisse virar a votação de mais dez parlamentares, teria vencido. O apoio de 210 deputados num governo com uma base que não chega a três dígitos é, de fato, um sinal de que o ex-juiz federal vem aprendendo a se articular sozinho.
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