Eles não foram a Harvard
O noticiário voltou a se encher de currículos desmentidos.
O noticiário voltou a se encher de currículos desmentidos: figuras públicas que disseram ter estudado em universidades de prestígio quando na verdade não é bem assim.
Em 14 de maio, o Estadão descobriu que a cientista brasileira Joana d’Arc Félix de Sousa declarava uma formação em Harvard que não possui e usou um diploma falso para sustentar a informação. Ela enviou ao jornal um diploma com o brasão de Harvard e o título de “pós-doutora em química orgânica” – Harvard não fornece diploma de pós-doutorado.
Nesta semana, foi a vez de O Globo apurar que o governador Wilson Witzel não fez parte de seu doutorado na UFF em Harvard. A prática é conhecida como “sanduíche”, porque o estudante começa o estudo em seu país, vai para outra universidade, e volta para casa para concluir.
No caso de Witzel, o sanduíche não tem recheio. Mas a informação estava em seu currículo Lattes.
Nos tempos do PT e no ministério Bolsonaro também tivemos alguns currículos inflados. Relembre.
A Harvard que o Wilson Witzel estudou pic.twitter.com/2D75ILQDfK
— Germiniano grande e gordo (@tarantelli_) May 22, 2019
1. Na era PT
O currículo Lattes de Dilma informava que ela “cursou mestrado e doutorado” pela Unicamp. Mas reportagem da Piauí em 2009 mostrou que a então ministra nunca concluíra a elaboração e a defesa de dissertação e tese, necessários para obter os títulos. O texto passou a informar que a aluna “concluiu os respectivos créditos”.
De qualquer forma, alguém consegue imaginar Dilma defendendo uma tese em banca…?
Oba! A Dilma abriu uma banca! pic.twitter.com/NjJm23oc4o
— José Simão (@jose_simao) May 25, 2016
Em contra-ataque, o então senador Aloizio Mercadante disse que estavam errados os livros informando que José Serra era formado em Engenharia Civil pela USP. Serra respondeu que era de conhecimento público que ele não concluíra a faculdade por ter se exilado no Chile durante a ditadura.

O próprio Mercadante mentiu sobre o currículo. Em debate na TV Gazeta, em 2006, disse: “fiz meu mestrado e doutorado na Unicamp”. Na verdade, ele só defenderia o doutorado em 2010, com a tese As bases do Novo Desenvolvimento no Brasil: análise do governo Lula (2003-2010).
2. No ministério Bolsonaro

Quando tomou posse como ministro da Educação, Abraham Weintraub foi anunciado pelo chefe Jair Bolsonaro como sendo doutor. Na verdade, ele só tem mestrado.
Mais grave é que Weintraub tenha publicado dois artigos idênticos em revistas científicas que só aceitam textos inéditos. Em 2016, ele publicou tanto na Revista Brasileira de Previdência quanto na Revista Chilena De Derecho Del Trabajo Y De La Seguridad Social o mesmo artigo: “A Bela Adormecida: 20 Anos Depois, O Processo Inflacionário Está Em Vias De Ressurgir”.
O texto está em português em ambos os casos. Arthur Weintraub, irmão de Abraham, faz parte do conselho editorial da revista brasileira.
Ainda na Esplanada, podemos falar do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Em 2012, ele publicou um artigo na Folha e assinou assim: “mestre em direito público pela Universidade Yale”. A informação foi repetida no programa Roda Viva em 2019. Em fevereiro, o ministro admitiu que não estudou em Yale.
Já a ministra dos Direito Humanos, Damares Alves, se apresentou para plateias como mestre em educação e em direito. Ela não tem mestrado.
Na verdade, nem Salles nem Damares têm sequer currículo Lattes.
Faça que nem o @wilsonwitzel e muitos outros brasileiros (estou olhando pra você, Joana D'Arc)! Venha pegar você também o seu diploma de Harvard aqui! pic.twitter.com/Xr9XOHXVK1
— Henrique Castro (@h_csj) May 23, 2019
3. E o Deltan?

Deltan Dallagnol, que entende de provas, foi mais precavido. A Crusoé mostrou que o procurador incluiu o número do processo de revalidação de seu mestrado em Harvard na Universidade Federal do Paraná.
O lema da universidade é Veritas – verdade.
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