O agitado RH do governo
O departamento de RH trabalha muito no governo federal.
O novo presidente da Embratur, o médico veterinário Gilson Machado Neto, foi nomeado nesta terça (21). Ele é a terceira pessoa a assumir o cargo desde que Bolsonaro tomou posse em janeiro.
A Crusoé mostra que Machado Neto já expressou profundas críticas ao seu novo chefe, o ministro Marcelo Álvaro Antônio. Em janeiro, ele chamou o ministro de “analfabeto turístico” e sugeriu a parlamentares do PSL que o presidente o demitisse do cargo.
Em menos de cinco meses de governo, o departamento de RH já teve bastante trabalho. Relembre alguns dos setores mais agitados por demissões.
1. Apex sem cabeça

Vinculada ao Itamaraty, a Apex foi o local da primeira demissão do governo Bolsonaro, já em 9 de janeiro. Foi exonerado da presidência Alecsandro Carreiro, que não tinha experiência na área de comércio exterior nem fluência em inglês. Um de seus primeiros atos foi a demissão de 17 funcionários – muitos com ampla experiência – sob a alegação de serem petistas.
Carreiro foi substituído pelo embaixador Mario Vilalva. Vilalva ficou só três meses no cargo. Ele acusou o ministro Ernesto Araújo de aplicar um golpe na Apex, mudando o estatuto sem consultá-lo, podando seu poder e o entregando aos diretores Márcio Coimbra e Letícia Catelani, esta ligada a Eduardo Bolsonaro.
Vilalva foi demitido. Pouco depois, Márcio Coimbra pediu demissão e ganhou um cargo no Senado. Catelani também foi demitida. Ela ainda não se explicou sobre as denúncias que fez na internet a respeito de “contratos espúrios” e o suposto arrombamento de seu ex-gabinete.
A Apex foi desolavizada. O contra-almirante Sergio Ricardo Segovia é o terceiro e atual presidente da agência.
2. Fritando Bebianno

Gustavo Bebianno foi lentamente fritado antes de sua demissão. Em 14 de fevereiro, declarou à Crusoé que “o presidente está com medo de receber algum respingo” das investigações sobre candidaturas-laranja no PSL. Bolsonaro e seu filho Carlos divulgaram áudios, ainda durante a internação no hospital Albert Einstein, na tentativa de desmentir reportagem em que Bebianno contou ter conversado com o presidente.
Bebianno ainda pensava em ficar no cargo, mas foi demitido em 18 de fevereiro. Na mesma data, o presidente fez circular um vídeo elogiando o já ex-ministro. Curiosamente, o vídeo nunca foi compartilhado nos perfis oficiais de Bolsonaro ou dos filhos.
Após a demissão, Bebianno publicou uma série de áudios, dele e de Bolsonaro, comprovando que sim, eles conversaram durante a internação do presidente.
3. A saída de Vélez

Espécie de Renato Janine Ribeiro da direita, Vélez Rodríguez também ficou em banho-maria por longo tempo antes de sua demissão. Até o fim de março, a pasta já acumulava 13 demissões no alto escalão, inclusive dois presidentes do Inep: Maria Inês Fini (demitida em 14 de janeiro) e Marcus Vinicius Rodrigues (demitido em 26 de março). O Inep é o órgão responsável pelo Enem.
Duas nomeações foram canceladas logo após o anúncio: a de Murilo Resende Ferreira para uma diretoria do Inep e a de Iolene Lima para secretária-executiva.
Alguns nomes ligados a Olavo de Carvalho ficaram pouco tempo no emprego, como os assessores Silvio Grimaldo e Bruno Garschagen, este autor do livro Pare de Acreditar no Governo.
Na noite de 27 de março, Eliane Cantanhêde anunciou na GloboNews que Bolsonaro tomara a decisão de demitir Vélez, dali a “horas ou dias”. Foi imediatamente desmentida pelo presidente.
Em 8 de abril, Vélez foi demitido.
Na gestão Weintraub, o presidente do Inep, Elmer Vicenzi, foi demitido.
Alexandre Lopes é a quarta pessoa a assumir o cargo desde janeiro.
Faltam 165 dias para o Enem.
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