Um plágio peronista
Como a Argentina de 2019 reprisa o Brasil de 2018, que tentava reprisar a Argentina de 1973.
Em postura criticada pela falta de cautela, Jair Bolsonaro não esconde a torcida contra a possibilidade de a Argentina voltar ao comando da família Kirchner. No início de maio, o presidente comentou a corrida presidencial no país vizinho.
Ninguém aqui vai se envolver com questões de fora do nosso país. Mas, como cidadão, tenho a preocupação de que volte o governo anterior ao do Macri. A presidente anterior era ligada a Dilma, Lula, à Venezuela de Maduro e Chávez, a Cuba. Se isso voltar, a Argentina vai entrar em situação semelhante à da Venezuela. Jair BolsonaroNo dia seguinte, em solenidade no Itamaraty, Bolsonaro insistiu no ponto:
Além da Venezuela, a preocupação de todos nós deve voltar-se um pouco mais ao sul agora, para a Argentina, por quem poderá voltar a comandar aquele país. Não queremos, acho que o mundo todo não quer uma outra Venezuela mais ao sul do nosso continente. Jair BolsonaroSemanas depois, em visita a George W. Bush, nos Estados Unidos, insistiu uma terceira vez.
Eu não sou vidente, mas, pelo semblante, eu entendi que ele [Bush] tem preocupação não só com a Venezuela, bem como a questão da Argentina. (…) Nós queremos, sim, sabemos a dificuldade da Venezuela, voltar à normalidade. Mas mais importante do que fazer um gol é evitar outro, e esse gol contra seria a Argentina voltando para as mãos da Kirchner. Jair Bolsonaro— Alinhados Há poucos dias, Eduardo Bolsonaro encontrou-se com Mauricio Macri. Segundo o deputado brasileiro, o discurso do pai está afinado com as preocupações do presidente argentino. Só no final de semana, contrariando expectativas, veio a confirmação de que Cristina Kirchner seria candidata a vice-presidente, tendo na cabeça da chapa um ex-chefe de gabinete, o peronista Alberto Fernández.
Uma matéria de Duda Teixeira para a Crusoé explica que Fernández não passa de uma marionete de Cristina.En la Semana de Mayo, reflexiones y decisiones. Sinceramente Cristina.https://t.co/UWoQq5CDH9
— Cristina Kirchner (@CFKArgentina) May 18, 2019
Alberto, o escolhido de Cristina KirchnerMacri, como era de se esperar, seguiu preocupado.
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou que “voltar ao passado” significaria a autodestruição do país. O AntagonistaA situação lembra o Brasil de 2018, com a liderança da corrida presidencial sentada no banco dos réus. Foi o que outra matéria de Duda Teixeira explicou na Crusoé.
Cristina Kirchner, no tribunal e nas pesquisasMas o Brasil de 2018 já lembrava a Argentina de 1973, conforme explicou Bernardo Mello Franco, ainda antes da eleição vencida por Bolsonaro.
Os petistas sonham imitar uma façanha do peronismo na Argentina. Em 1973, Juan Domingo Perón estava no exílio e não podia disputar a eleição presidencial. Foi substituído por Héctor Cámpora, que venceu, anistiou o aliado e renunciou depois de 49 dias. A manobra abriu caminho ao retorno do ex-presidente à Casa Rosada. Bernardo Melo FrancoSe o peronismo repetir o feito com Fernández, a esquerda latina há de deturpar Karl Marx, com a história se repetindo: a primeira vez como tragédia, a segunda, também.
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