Zambelli vai denunciar perseguição política ao Tribunal de Haia
Defesa acusa Supremo Tribunal Federal (STF) de crime contra a humanidade por decisões sobre deputada e outros bolsonaristas
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli vai apresentar ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, nos Países Baixos, uma denúncia contra o Supremo Tribunal Federal (STF) por perseguição política, devido à condenação dela por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
A denúncia deve citar também casos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro e outros.
“Essa denúncia não é só da Carla Zambelli. É uma denúncia também com apoio total, inclusive na mídia, do Eduardo Bolsonaro, do jornalista Oswaldo Eustáquio, que é isolado hoje na Espanha, do Eduardo Tagliaferro, e de alguns perseguidos políticos do 8 de janeiro, que tiveram aí suas penas exacerbadas, fora do contexto normal do que se manda a aplicabilidade da lei, e seria um crime contra a humanidade. Crime contra um grupo político, reiterado em diversas nações”, disse Fábio Pagnozzi, advogado de Zambelli, a O Antagonista.
Ainda de acordo com advogado, ele deve protocolar a denúncia na próxima semana.
Por causa da condenação no caso do CNJ, Zambelli, que está na Itália, chegou a ter a extradição pedida pelo Brasil. Porém, em maio, a Corte de Cassação – última instância da Justiça italiana – revogou a decisão da Corte de Apelação de Roma que havia autorizado a extradição dela ao Brasil.
Foi acatado um recurso apresentado pelos advogados da ex-parlamentar contra a decisão de março.
No recurso, os advogados apresentaram questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis irregularidades processuais.
A ex-deputada deixou a prisão na Itália após a decisão da Corte de Cassação. Ela estava presa no complexo penitenciário de Rebibbia, nos arredores de Roma, desde julho do ano passado.
“Essa vitória foi de Deus, eu consagrei nossa vitória a Deus. Ele conseguiu, deu força para os nossos advogados. Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão”, disse Zambelli ao comemorar a soltura.
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