Tratar facções como terroristas é mais caro?
Chefe da Divisão de Inteligência da PF vê aumento de "custo do país inteiro" em caso de aprovação do projeto de lei
O delegado Leandro Almada, chefe da Divisão de Inteligência Policial (DIP) da Polícia Federal (PF), afirmou que o projeto de lei que tipifica a atividade de organizações criminosas e milícias como terrorismo “vai aumentar o custo do país inteiro”.
“Isso vai trazer consequências. Temos gente do mercado financeiro dizendo que um enquadramento desses vai aumentar o custo do país inteiro. O mercado vai ter que gastar centenas e centenas de milhares para aumentar o seu compliance. Quem vai taxar ou punir não quer saber se o dinheiro sujo foi por dolo ou culpa. (Tem) A ação de estados estrangeiros sem nenhum controle aqui dentro”, afirmou o delegado na quarta, 5, durante uma reunião na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) no Senado.
O texto, de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE), está tramitando em regime de urgência na Câmara desde maio. Na última terça, 5, o parlamentar apresentou um requerimento para apensar o projeto de lei antifacção, de autoria do governo federal, ao seu.
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Governo Lula é contra
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, manifestou na quarta, 5, sua contrariedade ao projeto.
“O governo é terminantemente contra. Somos contra esse projeto que equipara as facções criminosas ao terrorismo. O terrorismo tem objetivo político e ideológico, e o terrorismo, pela legislação internacional, dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país, nós não concordamos com isso”, pontuou a ministra.
“Nós já temos uma legislação sobre facções criminosas, mandamos agora um projeto de lei que traz bastante rigor para o combate às facções e temos lá a PEC da Segurança, que está dormitando há seis meses quase e que a Câmara não deu encaminhamento. Está na comissão especial, eu espero que o relator realmente apure o seu relatório, para que a gente aprove o mais rápido possível, para nos dar condições de fazer operações integradas”.
Ela prosseguiu: “Passando o [o projeto que amplia a isenção do] Imposto de Renda hoje, que é uma votação importante, a gente espera que o Senado da República aprove o projeto como ele está, a nossa prioridade será em relação à PEC da Segurança e o projeto de combate às facções criminosas“.
O projeto de lei antifacção, do governo, começou a tramitar na Câmara na segunda-feira. 3. A proposta cria o tipo penal de “organização criminosa qualificada”, para endurecer as penas e ampliar o poder de atuação do Estado contra facções.
Ela prevê o aumento das penas para quem integra, promove ou financia organização criminosa, dos atuais 3 a 8 anos de prisão para 5 a 10 anos. No caso de homicídios cometidos a mando de facções, a pena pode chegar a 30 anos de prisão e sem pagamento de fiança. O texto foi elaborado pelo Ministério da Justiça.
Já no caso da PEC da Segurança Pública, o relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), deve apresentar seu parecer neste mês, na comissão especial.
A proposta dá status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), de forma parecida ao que acontece com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o Sistema Nacional de Educação (SNE).
Além disso, transforma a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal, que fará o policiamento ostensivo em rodovias, ferrovias e hidrovias federais; formaliza o papel das Guardas Municipais no policiamento ostensivo e comunitário; e estabelece órgãos autônomos de correição, com a função de apurar a responsabilidade funcional dos profissionais de segurança pública e defesa social.
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