Torres usou bilhete de passagem falso para justificar ausência no 8/1, diz PGR
Segundo Paulo Gonet, constatação coloca em xeque a versão do réu de que sua viagem já estava agendada desde muito antes
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusou o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, de apresentar um bilhete de passagem aérea falso para justificar sua ausência em Brasília durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Ele estava nos Estados Unidos quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas na capital federal. Nas alegações finais apresentadas na ação penal que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado, Gonet diz que a defesa do réu juntou aos autos somente um print da suposta passagem, para a viagem, emitida por ele em 2022, sem apresentar o comprovante de compra ou o bilhete aéreo de forma autônoma.
Segundo o procurador-geral da República, o documento por si só já não seria suficiente para “redimir as omissões dolosas do acusado“ no 8 de janeiro, pois ele tinha informações suficientes, às vésperas da viagem (ocorrida em 6 de janeiro), sobre a gravidade dos eventos que estavam por vir.
Mas, além disso, diz Gonet, a Procuradoria-Geral da República “identificou a possível falsidade do documento apresentado pela defesa, que não apenas reforça a gravidade da conduta do réu Anderson Torres à época dos crimes, mas deverá justificar a adoção de providências adicionais em relação ao novo fato aparentemente ilícito“.
Segundo Gonet, ao ser questionada pela PGR, a companhia aérea Gol informou que o localizador “MYIDST” da suposta passagem não condiz com os dados descritos em nome de Torres e que não identificou voos, no trecho Brasília/Orlando, voo G3-9460, em nome dele.
“A escandalosa constatação coloca em xeque a versão do réu de que sua viagem já se encontrava agendada desde muito antes e confirma a sua estratégia deliberada de afastamento e conivência com as ações violentas que se aproximavam”, pontua Gonet.
“É insubsistente, ainda, a versão de que houve comunicação prévia da viagem ao governador do Distrito Federal”.
Ele prossegue: “A defesa não trouxe aos autos a comprovação de tal alegação. Além disso, a análise dos celulares entregues voluntariamente pelo governador Ibaneis Rocha aponta que, somente em 7 de janeiro de 2023, dia anterior aos atos e quando já estava em viagem, Anderson Torres compartilhou o contato de seu substituto com o governador, em clara postura de descaso e negligência com seus deveres profissionais“.
Nas alegações finais, Gonet pede a condenação de Torres e outras sete pessoas por cinco crimes: organização criminosa, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, depredação do patrimônio tombado e dano qualificado.
Agora, com a manifestação, as demais partes terão 15 dias para ser manifestar sobre o caso. A expectativa é que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do chamado “núcleo crucial” ocorra entre o final de agosto e início de setembro.
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Comentários (1)
Joaquim Arino Durán
15.07.2025 14:16O celular esquecido na Flórida já foi encontrado?