“Tentativa de golpe de dentro para fora”, diz Tebet sobre ocupação no Congresso
Ministra do Planejamento e Orçamento afirmou ainda que o Congresso se "apequenou" por causa do episódio; ela esteve no Senado
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, criticou nesta terça-feira, 12, as ocupações das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado realizadas pela oposição na semana passada. Segundo Tebet, o ato foi uma tentativa de golpe de Estado “de dentro para fora”. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas no Senado, onde ela participou hoje de audiência na Comissão de Desenvolvimento Regional.
“O que eu vi na semana passada não é só lamentável, o Congresso Nacional se apequenou, e mais do que isso: uma tentativa de golpe de dentro para fora. O que eu nunca imaginei poder viver, alguém querer trancar as portas do Congresso Nacional. Porque o plenário do Congresso Nacional é o pulmão, é o coração por onde exercemos nossa democracia”, pontuou Tebet.
“Aqui é a Casa é mais plural. A Casa mais plural da democracia não é no Executivo, não é o chefe do Executivo, que foi eleito por um partido ou alguns partidos, e muito menos o Judiciário”.
Ela ressaltou que estava falando não em nome do governo, mas como membro de um partido de centro, o MDB e como ex-senadora da República.
Ainda de acordo com Tebet, em sua visão, o episódio demonstra que o movimento de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas, não acabou.
“O que eu vi foi uma tentativa de golpe de dentro para fora. De novo, não é um golpe onde vai paralisar as instituições, mas é um golpe onde quer se enfraquecer as instituições para se colocar pautas específicas de interesses muito específicos que não necessariamente são de interesse do povo brasileiro. Lamentável, o Congresso se apequenou”, reforçou.
As ocupações foram feitas protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a atuação do ministro Alexandre de Moraes, e para pressionar as Casas a avançarem com o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e outras matérias.
Na semana passada, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elogiou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela atuação de ambos diante das ocupações.
Motta retomou a Mesa da Câmara às 22h20 na quarta, 6, após um logo período de discussões entre líderes e de líderes com o congressista em busca de um acordo para que a obstrução física da oposição fosse encerrada de maneira pacífica. Até mesmo o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) foi consultado por lideranças. No fim, os oposicionistas desocuparam os assentos e a Polícia Legislativa não precisou atuar.
Já a Mesa Diretora do Senado foi retomada por Alcolumbre na quinta, 7, após o fechamento de acordo com a oposição.
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