Rejeição de Messias: petistas desconfiam até de Pacheco?
Lula orientou aliados a manterem apoio à candidatura do senador do PSB ao governo de MG
Na busca por culpados pela rejeição no Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, uma ala do PT desconfia até do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), registrou a Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, um grupo próximo de Lula avalia que o senador mineiro, preterido na indicação do sucessor de Luís Roberto Barroso na Corte, auxiliou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a articular a rejeição da indicação de Messias no plenário da Casa.
Na véspera da sabatina, realizada na quarta-feira, 29, o PSB de Pacheco declarou apoio ao nome do advogado-geral da União.
Leia em Crusoé: Rejeição histórica
Lula mantém apoio a Pacheco
Apesar da desconfiança de integrantes do PT, o presidente Lula orientou o grupo a manter o apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais.
Pacheco teria dito a interlocutores que continua disposto a concorrer ao governo do estado. Todavia, a candidatura precisa demonstrar viabilidade política e eleitoral.
Pessoas próximas ao senador avaliam que tentativas de constrangimento por parte do PT poderiam fazê-lo desistir de ser candidato.
Rejeição de Messias
Messias foi rejeitado por oito votos de diferença, com 42 contrários e 34 favoráveis à indicação.
Antes da votação no plenário, a indicação feita por Lula havia sido aprovada pela CCJ do Senado, por 16 votos a 11.
O placar no colegiado foi concluída após sabatina, em que Messias falou sobre diferentes temas.
Ele disse que o 8 de janeiro de 2023 “foi um dos episódios mais tristes da história recente“. Segundo o parlamentar ainda, os atos daquela data fizeram “muito mal ao país“.
O sabatinado se manifestou contra o aborto, a favor da liberdade de imprensa e até criticou abus do Poder Judiciário. Ao menos dois ministros do governo acompanharam a sabatina presencialmente: José Múcio, da Defesa, e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social.
Articulações
Lula indicou Messias ao STF em novembro do ano passado, na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas a mensagem presidencial com a indicação só chegou ao Senado em 1º de abril deste ano.
O governo federal demorou quatro meses para enviar a indicação ao Senado, após a publicação dela no Diário Oficial da União. O Executivo aproveitou o tempo para tentar uma maior aceitação do nome de Messias entre os senadores. Ainda assim, o indicado enfrentou bastante resistência.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preferia que o petista tivesse indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Como mostramos, nas conversas com senadores na manhã de quarta, Alcolumbre liberou seus aliados a votar contra a indicação de Jorge Messias.
O presidente do Senado se demonstrou extremamente incomodado com movimentos protagonizados por Messias e alguns de seus aliados, como o ministro do Supremo André Mendonça. O parlamentar se irritou com o vazamento da informação sobre o encontro secreto tido entre ele e Messias na residência do ministro Cristiano Zanin na semana passada. Para Alcolumbre, teria sido o próprio Messias o responsável pelo vazamento da informação.
Outro movimento que incomodou o parlamentar amapaense foi a pressão de pastores evangélicos aos demais senadores. Esse movimento entre os evangélicos é liberado por André Mendonça. Para Alcolumbre, o ministro do STF tentava emplacar o aliado como forma de vingança pelo tempo em que ele, Mendonça, precisou esperar para ser sabatinado.
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