Davi Alcolumbre libera voto contra Jorge Messias
O presidente do Senado também se comprometeu a votar uma futura indicação apenas após as eleições de 2026
Em conversas com senadores na manhã desta quarta-feira, 29, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), liberou seus aliados a votar contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias está sendo alvo de sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Durante a sessão, já se manifestou contra o aborto, a favor da liberdade de imprensa e até criticou abusos do Poder Judiciário.
Alcolumbre se demonstrou extremamente incomodado com movimentos protagonizados por Messias e alguns de seus aliados, como o ministro do Supremo André Mendonça. O presidente do Senado se irritou com o vazamento da informação sobre o encontro secreto tido entre ele e Messias na residência do ministro Cristiano Zanin na semana passada. Para Alcolumbre, teria sido o próprio Messias o responsável pelo vazamento da informação.
Outro movimento que incomodou o parlamentar amapaense é a pressão de pastores evangélicos aos demais senadores. Esse movimento entre os evangélicos é liberado por André Mendonça. Para Alcolumbre, o ministro do STF tenta emplacar o aliado como forma de vingança pelo tempo em que ele, Mendonça, precisou esperar para ser sabatinado.
Um senador que manteve contato com Alcolumbre confidenciou a este portal que a orientação dada pelo presidente do Senado era que ele “votasse de acordo com sua consciência”. O senador entendeu o recado.
Além disso, Alcolumbre deu um outro recado aos seus aliados na Casa. Caso a indicação de Messias seja rejeitada, ele não pautará uma suposta indicação por parte do governo Lula antes das eleições. A não ser que Lula volte atrás e indique Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Nas contas tanto de governistas quanto da oposição, Messias tem 35 votos contra a sua aprovação; do outro lado, são 25 votos a favor. A decisão ficará entre os indecisos. Boa parte deles, aliados de Davi Alcolumbre.
Messias afirmou durante a sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para indicação do seu nome ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a Corte precisa ampliar mecanismos de transparência e se manter aberta ao aperfeiçoamento institucional.
Indicado para o STF pelo presidente Lula, Messias disse que ajustes no funcionamento do tribunal não devem ser interpretados como sinal de fragilidade. “Recalibragem institucional e ajuste de rotas não são signos de fraqueza. Ao contrário, fortalecem o poder judicial”, declarou.
Na avaliação do AGU, a percepção pública sobre o Supremo tem impacto direto na relação da Corte com a democracia. “A percepção pública de que cortes supremos resistem à autocrítica e ao aperfeiçoamento institucional tende a pressionar a relação entre a jurisdição e a nossa democracia”.
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