O custo das medidas anunciadas por Lula às vésperas da eleição
Reajuste do Bolsa Família, novo Desenrola e fim das bets pressionam as contas públicas do próximo ano
As medidas anunciadas pelo governo Lula na reta final da eleição podem representar um impacto de até R$ 42,3 bilhões nas contas públicas de 2027, segundo cálculo do Globo.
A estimativa reúne R$ 22 bilhões em despesas adicionais com o Bolsa Família, R$ 15 bilhões destinados ao novo Desenrola e R$ 5,3 bilhões em receitas que deixarão de ser arrecadadas com a proibição das bets.
Os valores ainda não estão previstos no Orçamento de 2027, enviado ao Congresso em agosto.
Para acomodar as novas despesas e a perda de arrecadação, o governo terá de remanejar recursos e rever gastos de outras áreas.
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Bolsa Família e fim das bets
O maior impacto vem do reajuste de 15,04% do Bolsa Família. O piso do benefício passou de R$ 600 para R$ 691, com os pagamentos reajustados a partir de outubro.
O custo adicional estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e chega a R$ 22 bilhões em 2027, quando o aumento terá efeito durante todo o ano.
Já o fim das bets deve reduzir em R$ 5,3 bilhões a arrecadação prevista para 2027.
O valor não representa uma nova despesa, mas dinheiro que deixará de entrar nos cofres públicos e que também terá de ser compensado para preservar o resultado fiscal.
Novo Desenrola
Anunciado na sexta-feira, 25, o Desenrola 3.0 prevê até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de dívidas de pessoas físicas inadimplentes.
O governo pretende adquirir os débitos com desconto e repassar aos devedores parte da redução obtida nas operações.
O programa será voltado a dívidas em atraso de dois a 4,5 anos, com valor original de até R$ 10 mil. O governo estima cerca de R$ 300 bilhões em débitos dentro dos critérios e prevê alcançar metade desse estoque.
O primeiro repasse deve ser de R$ 5 bilhões, com o restante liberado conforme o andamento dos leilões.
A estratégia anunciada pelo governo é fazer os novos gastos caberem nas regras fiscais por meio de cortes e remanejamentos, sem ampliar o limite total de despesas.
A pressão sobre o próximo governo, portanto, dependerá dos desembolsos efetivos, das compensações e da perda de arrecadação provocada pelo fim das apostas.
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