Moraes manda PGR opinar sobre pedido para liberar visita de Flávio a Jair Bolsonaro
Paulo Gonet tem cinco dias para se manifestar sobre recursos apresentados pela defesa do ex-presidente contra decisões de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias, nesta terça-feira, 4, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os recursos (agravos regimentais) apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra duas decisões do magistrado.
A primeira delas foi a que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. Já a segunda é a que proibiu as visitas com finalidade político-eleitoral ao integrante do PL até o término das eleições e a divulgação, por Jair, de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado.
A defesa do ex-presidente pede que Moraes reconsidere as decisões, para afastar a suspensão das visitas e as proibições.
Segundo os advogados de Jair, a suspensão total do contato entre pai e filho é desproporcional. Eles sustentam ainda que o ex-presidente desconhecia que a carta entregue a Flávio seria divulgada nas redes sociais e argumentam que a restrição às visitas familiares não deveria impedir a comunicação profissional com um advogado escolhido pelo próprio Jair.
Em relação às proibições de visitas político-eleitorais e de divulgação de manifestos, os advogados dizem que a premissa que as sustenta “consiste na compreensão de que a suspensão dos direitos políticos prevista no artigo 15, III, da Constituição alcançaria não apenas a capacidade eleitoral do condenado, mas igualmente a possibilidade de debater temas políticos durante as visitas ou de promover, por qualquer meio, a divulgação de manifestações de conteúdo político-eleitoral”.
Porém, acrescentam, “essa conclusão amplia o alcance da norma constitucional para além dos limites que dela decorrem“.
“Bem se diga que normas restritivas de direitos fundamentais se submetem à interpretação estrita. Não se admite, em matéria dessa natureza, que limitações à esfera jurídica do indivíduo sejam construídas por analogia ou por interpretação extensiva, sobretudo quando impliquem restrição ao exercício de outras liberdades igualmente protegidas pela Constituição”.
Ainda conforme os advogados, se é lícito a Bolsonaro refletir, escrever ou registrar seu pensamento, mas absolutamente proibido transmiti-lo a terceiros por qualquer forma de divulgação, “a restrição deixa de incidir sobre determinado meio de comunicação para atingir, na prática, a própria circulação das ideias”.
O resultado, afirmam, “é equivalente ao de uma proibição material de manifestação do pensamento, ainda que construída sob a forma de vedação à divulgação”.
O ministro só decidirá sobre os recursos após a manifestação da PGR. Jair Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e 3 meses de prisão à qual foi condenado na ação penal do golpe de estados. Ele encontra-se em prisão domiciliar humanitária.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)