Missão desafia PT e diz que Renan Santos seguirá criticando Lula e Janja
Sigla comandada por Renan Santos reagiu à decisão da campanha de Lula de acionar o TSE por declarações feitas em debate no domingo
O partido Missão reagiu nesta quarta-feira, 26, à informação de que a campanha do presidente Lula (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Renan Santos (Missão) por declarações sobre o petista durante o debate realizado no domingo, 23.
A sigla comandada por Renan pontuou que sua campanha apresentará a defesa dele quando for notificada do processo e reiterou as declarações feitas pelo político no debate. Segundo a Missão, Renan continuará dizendo “as verdades incômodas“ sobre o governo Lula. A sigla se manifestou por meio de nota.
“O Partido Missão tomou conhecimento, pela imprensa, de que o PT afirmou ter ajuizado ação eleitoral contra Renan Santos pelas críticas dirigidas ao presidente Lula e à primeira-dama Janja durante o debate presidencial da Band, no último domingo, 23 de agosto”, inicia.
“Até o momento, a candidatura não foi oficialmente citada e, tão logo isso ocorra, apresentará sua defesa pelos meios cabíveis. A candidatura reitera as declarações feitas por Renan: tratam-se de críticas políticas dirigidas a figuras públicas e à atuação do atual governo, plenamente inseridas no debate eleitoral“.
A nota prossegue: “Lula é o presidente da República, já foi alvo de graves condenações judiciais no passado (posteriormente anuladas por questões processuais) e comanda um governo marcado por elevada rejeição e por uma série de problemas que são objeto permanente do debate político”.
Já Janja, diz a Missão, “também é uma figura pública: participa ativamente da vida política, acompanha viagens custeadas com recursos públicos, comparece a compromissos oficiais e participa de estratégias do governo. Nenhum dos dois, portanto, está imune ao escrutínio ou às críticas próprias de uma democracia“.
Para o partido, “quem não tem altivez para suportar críticas não deveria disputar a Presidência da República, ou, no mínimo, deveria ter coragem para comparecer aos debates e defender a própria honra”. “Renan Santos continuará dizendo as verdades incômodas sobre o governo Lula, sem inventar acusações: diante da assombrosa realidade, isso seria completamente desnecessário”, conclui.
A ação do PT
Lula não esteve presente no debate no domingo. O candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado, também é alvo da ação do PT. Ele participou do debate com Renan.
A campanha do petista pede ao TSE que determine a exclusão de postagens nas redes sociais que reproduzem os alegados “ataque contra a honra” do presidente e a aplicação de multa aos dois candidatos.
A campanha de Lula lista seis declarações de Renan no debate que, segundo ela, foram ofensivas à honra do petista. Também aponta 20 reproduções dos trechos nas redes sociais do presidenciável e do partido Missão.
Eis um dos comentários de Renan:
“Lula tinha que vir aqui defender o legado dele. Eu tô aqui chamando ele de ladrão. Por que que não veio se defender?” e “A maior parte do tempo ou ele está bêbado ou tá com a Janja. É melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”.
Para os advogados, é “inequívoco que essas imputações atingem a honra e a reputação de Lula. Além disso, demonstram preocupação com a repercussão das falas em rede sociais”.
“Em especial, a primeira ofensa à honra perpetrada pelo candidato –a saber, a pecha de que seria Luiz Inácio Lula da Silva um ‘ladrão’– já registra mais de 900 mil visualizações no TikTok e com quase 200 mil ‘curtidas’ no Instagram”, afirma a equipe jurídica da campanha de Lula.
Renan Santos chegou ao debate da Band com duas fraldas nas mãos, com os nomes “Lula” e “Flávio” escritos, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que também não esteve presente.
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