Marinho acusa Lula de aplicar “golpe da picanha 2”
Líder da oposição no Senado reagiu a declaração do petista sobre que oposicionistas tentaram barrar avanço do fim da escala 6x1
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reagiu nesta quinta-feira, 3, à declaração do presidente Lula (PT) defendendo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e acusando os oposicionistas na Casa Alta de tentar barrar o avanço do texto.
O parlamentar do PL, que coordena a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente, acusou o petista de aplicar “o golpe da picanha 2“.
Marinho se manifestou pelo X. “Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado. Você está aplicando o golpe da picanha 2, tentando fazer o povo acreditar que é possível reduzir a jornada sem redução de remuneração e que isso não terá consequências para todos“, escreveu.
“O custo da sua irresponsabilidade será pago pelo trabalhador, que vai encontrar preços mais altos, empresas fechando, desemprego e um empurrão para a informalidade. Você é um ladrão da esperança. Tem um projeto de poder e não um projeto de país. Eu sei que você já disse que faria o diabo para ganhar as eleições, o problema é que quem vai comer o pão que esse diabo amassou é o trabalhador”, complementou.
Na campanha eleitoral de 2022, Lula prometeu que seu governo faria com que o pobre voltasse a comer picanha, mas a inflação segue sendo uma barreira para muitas famílias acessarem o alimento.
A PEC do fim da escala de seis de trabalho por um dia de descanso e que reduz a jornada de trabalho semanal máxima foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira, 2, mas ainda precisa ser votada pelo plenário da Casa.
O texto é um das prioridades do governo Lula no Congresso, mas é criticada por setores econômicos, que apontam riscos para a economia. Na CCJ, apenas quatro senadores manifestaram voto contrário à PEC. Entre eles, Marinho.
Mais cedo nesta quinta, Lula disse “é importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário. As justificativas são as de sempre”.
“Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º. Uma história que se repete desde os tempos do fim da escravidão”.
O petista prosseguiu: “O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem. Viver para trabalhar, e não ter vida além do trabalho. Desmotiva. Mina a produtividade. Os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6×1!”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não decidiu uma data para que a PEC seja votada no plenário.
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