Lewandowski: Classificar PCC como terrorista pode representar atentado à soberania
Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública criticou decisão dos Estados Unidos durante participação no 14° Fórum de Lisboa
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski voltou a criticar, nesta segunda-feira, 1º, a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Segundo o magistrado, a medida “pode representar um atentado” à soberania do Brasil. A declaração foi feita durante participação no 14° Fórum de Lisboa – o “Gilmarpalooza“.
“Com relação, finalmente, à questão dessa última decisão de nominar as organizações criminosas de grupos terroristas e eu fui flagrantemente contra. Já me pronunciei como ministro da Justiça e Segurança Pública, porque isso pode representar um atentado à nossa soberania, fragiliza a soberania. E, em segundo lugar, isso pode dificultar os investimentos estrangeiros”, disse Lewandowski.
“Porque na medida em que um país é classificado como um país que abriga organizações terroristas, há uma série de restrições. As empresas precisam, tanto estrangeiras como nacionais, criar mecanismos de compliance, administrativos, contábeis, para poder, exatamente, se defender desse fenômeno”, complementou.
O governo Lula (PT) reagiu na sexta-feira, 29, por meio de nota, ao anúncio feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o PCC e o CV serão classificados como grupos terroristas. O Executivo diz que enfrentar essas organizações criminosas com “firmeza” é prioridade do Estado brasileiro, critica a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos nesta semana e afirma que “a soberania nacional é inegociável“.
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro“, inicia a nota.
“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”.
A nota prossegue: “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros“.
Na sequência, é feita a crítica à ida de Flávio aos Estados Unidos, quando se encontrou com o presidente americano, Donald Trump: “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
01.06.2026 14:46Atentado à soberania, meu senhor, é ter um poder querendo engolir o outro.