Investigados por desvios de emendas votaram “Sim” à PEC da blindagem
Texto foi aprovado por 344 votos a favor e 133 contrários na Câmara dos Deputados
Pelo menos cinco deputados investigados por desvios de emendas parlamentares votaram “sim” à PEC da blindagem na terça-feira, 16.
São eles: Elmar Nascimento (União-BA), Júnior Mano (PSB-CE, foto), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) –esses dois últimos, do mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O texto foi aprovado na forma do substitutivo proposto pelo relator, Cláudio Cajado (PP-BA), por 344 votos a favor e 133 contrários.
Leia mais: PEC da blindagem: deputados fazem manobra para retomar votação secreta
Os investigados favoráveis à blindagem
A Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal indícios da participação do deputado federal Elmar Nascimento, que chamava Jair Bolsonaro de “saco vazio sem nada dentro” e “louco” e agora se alia ao bolsonarismo pela blindagem, no esquema de fraudes licitatórias e corrupção apurado pela Operação Overclean na Bahia.
Por recomendação da Procuradoria-Geral da República, o ministro Nunes Marques, do STF, negou um pedido da PF para realizar buscas e apreensão em endereços ligados ao deputado em julho, quando autorizou a quinta fase da ação policial.
Félix Mendonça Júnior, por sua vez, foi alvo da quarta fase da Overclean, deflagrada em 27 de junho.
O deputado Júnior Mano foi um dos alvos da Operação Underhand em julho, que investiga uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos por meio de fraudes em licitações e contratos administrativos.
Em março, o STF aceitou, por unanimidade, denúncia contra os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (SE), por corrupção passiva e organização criminosa.
A PGR acusou os parlamentares de cobrarem 25% dos valores que destinaram ao município de São José de Ribamar (MA).
Proteção corporativa
O bolsonarismo explora a alegação de que é preciso defender parlamentares de “direita” contra “perseguições políticas” do Supremo Tribunal Federal (STF). A PEC da Blindagem, no entanto, favorece a proteção corporativista de investigados e acusados de corrupção e todos os demais crimes, incluindo os violentos e/ou ligados a facções armadas, abrindo margem, inclusive, para que o mesmo procedimento seja adotado em assembleias legislativas, como a do Rio de Janeiro, em casos similares ao do deputado estadual TH Joias, preso por conexões com o Comando Vermelho (CV).
O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) criticou parlamentares que se dizem de direita pelo voto a favor de “institucionalizar a bandidagem com uma PEC que permite, por exemplo, que alguém do PCC dispute a eleição e, com voto secreto dos seus colegas, nunca tenha um processo criminal contra ele, sendo um faccionado. É de causar desesperança.”
O interesse bolsonarista em blindar deputados federais como o licenciado Eduardo Bolsonaro, alvo de inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre coação no curso do processo, é aproveitado pelo Centrão, interessado em se blindar contra investigações de desvios de emendas parlamentares, autorizadas pelo ministro Flávio Dino.
Centrão e bolsonarismo, com frequência, são identificados separadamente, mas, em essência, sempre foram e continuam sendo uma coisa só. Como confessou o próprio Jair Bolsonaro em 22 de julho de 2021: “Eu sou do Centrão.”
Leia também: O “Sim” de Nikolas e mais 77 do PL ao voto secreto para blindar parlamentar
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)